CLIMA
Onda de calor causa mais de 1,3 mil mortes acima do esperado na Europa
Calor recorde expõe os limites da adaptação climática e acende alerta para o Brasil
A onda de calor que atinge a Europa já provocou mais de 1,3 mil mortes acima do esperado, segundo informou a Organização Mundial da Saúde (OMS) neste domingo, 28. O continente enfrenta temperaturas recordes, aumento da pressão sobre hospitais, problemas na infraestrutura e impactos na geração de energia.
Desde sexta-feira, 20, diversos países registraram recordes históricos. Na Alemanha, os termômetros chegaram a 41,5°C, enquanto a França superou os 40°C em várias regiões. A República Tcheca registrou 40,8°C, a Suíça alcançou 39°C em Basileia pelo terceiro dia consecutivo, e a Dinamarca teve a maior temperatura desde o início das medições, com 37°C.
A França contabilizou cerca de mil mortes acima do esperado desde terça-feira, 24, principalmente entre idosos com mais de 65 anos. Na Espanha, outras 212 mortes registradas em apenas quatro dias também foram associadas ao calor extremo.
Além dos impactos na saúde, a onda de calor afetou a infraestrutura europeia. Na Hungria, a usina nuclear de Paks reduziu a geração de eletricidade devido ao aumento da temperatura das águas do rio Danúbio, utilizadas no resfriamento dos reatores. Na Alemanha, empresas ferroviárias flexibilizaram regras para remarcação de viagens por causa do risco de deformação dos trilhos, enquanto rodovias registraram rachaduras provocadas pelo calor.
Especialistas apontam que o episódio foi intensificado por um fenômeno atmosférico conhecido como bloqueio ômega, que mantém uma massa de ar quente estacionada sobre uma mesma região durante vários dias. Cientistas também afirmam que eventos desse tipo estão se tornando mais frequentes e intensos em razão das mudanças climáticas.
Os reflexos também atingem a economia. Segundo estudo da seguradora Allianz, temperaturas acima de 30°C reduzem a produtividade, aumentam o consumo de energia e elevam o número de afastamentos por problemas de saúde. A estimativa é que, caso episódios semelhantes se tornem mais comuns, a economia alemã acumule perdas de até US$ 131 bilhões entre 2026 e 2030.



