ECONOMIA
Inadimplência no NE sobe para 28% e comprometimento de renda atinge 85%
Dados estão num estudo que mostra avanço dos indicadores de pressão financeira entre 2021 e 2025
A inadimplência avançou no Nordeste entre 2021 e 2025. O índice de indivíduos inadimplentes na região passou de 22,3% para 28,6% no período, alta de 6,3 pontos percentuais. Ao final de 2025, o Nordeste concentrava 25,44% dos indivíduos inadimplentes do Brasil, praticamente a mesma participação registrada em 2021, de 25,34%.
Os dados fazem parte do estudo “O começo de uma década – A evolução do mercado financeiro até a metade dos novos anos 20”, produzido pela Equifax BoaVista, Acordo Certo e CDL Porto Alegre, apresentado na Febraban Tech 2026 nesta semana. O levantamento analisa a evolução do crédito, da inadimplência, do endividamento e do comprometimento de renda dos brasileiros entre 2021 e 2025.
No acesso ao crédito, o Nordeste representava 23,30% dos indivíduos com crédito ativo em 2021 e encerrou 2025 com participação de 22,59%.
“O acesso ao crédito representa uma evolução importante do mercado, porque amplia as possibilidades de consumo, investimento e realização de projetos pessoais. Ao mesmo tempo, os dados mostram que essa oferta precisa ser acompanhada por uma leitura cada vez mais precisa da capacidade de pagamento e do momento financeiro de cada consumidor”, afirma Henrique Moraes, CEO da Equifax BoaVista.
“Nosso mercado de crédito já é grande demais para ignorar uma questão central dos anos: o paradoxo da inclusão. Conhecer os consumidores e acompanhar suas mudanças de comportamento em tempo real exige cada vez menos esforço, cabe a nós combinarmos tudo isso. O impacto que queremos depende de como vamos traduzir nossos recursos em alternativas concretas para o consumidor”, diz Fernando Iódice, CEO da Acordo Certo, uma marca da Consumidor Positivo
Comprometimento de renda chega a 85,7%
A pressão sobre o orçamento dos consumidores nordestinos também aparece no comprometimento de renda. O indicador passou de 75,6% em 2021 para 85,7% em 2025, avanço de 10,1 pontos percentuais.
O comprometimento de renda considera a relação entre o valor das parcelas e faturas devidas no mês e a renda mensal presumida do consumidor. Por refletir a parcela da renda já comprometida com obrigações financeiras de curto prazo, o indicador é relevante para avaliar a capacidade de pagamento e para decisões relacionadas à concessão de crédito.
Já o endividamento total apresentou movimento contrário, caindo de 43,5% em 2021 para 41,3% em 2025. Apesar da redução, o indicador permaneceu acima de 40% nos dois extremos do período analisado.
Diferentemente do comprometimento de renda, o endividamento relaciona o saldo devedor total do indivíduo à sua renda presumida anual e oferece uma visão de mais longo prazo sobre sua situação financeira.
Os indicadores mostram, portanto, movimentos distintos na região: ao mesmo tempo em que o endividamento total recuou, aumentaram tanto a inadimplência quanto a parcela da renda mensal comprometida com crédito.



