BAIRROS AFUNDANDO

Bebedouro é reconhecido como área de criticidade máxima

Após pressão popular, mais de 1.700 imóveis serão incluídos em programa de realocação
Por Redação 02/10/2020 - 14:48
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Assessoria
Movimento Luto por Bebedouro fez protesto na segunda-feira
Movimento Luto por Bebedouro fez protesto na segunda-feira

Uma verdadeira luta desde o começo deste ano, a inclusão do bairro de Bebedouro na área de criticidade 00 no Mapa de Setorização de Danos e de Linhas de Ações Prioritárias finalmente aconteceu. Esta é uma grande batalha vencida”, afirma Israel Lessa, uma das lideranças dos movimentos de moradores e empreendedores das áreas afetadas pela mineração da Braskem.

Ele lembra que depois de encaminhar diversos documentos e abaixo-assinados para o Ministério Público Federal (MPF) e à Defesa Civil, fazer manifestações, ofícios, diversas lives e vídeos nas redes sociais mostrando a situação dos moradores e muita pressão social, o movimento conseguiu antecipar as visitas técnicas, - que deveriam acontecer entre novembro e dezembro, e foram realizadas entre julho e agosto - , mostrando que praticamente todos os imóveis do bairro tinham rachaduras e fissuras similares às encontradas em outros bairros, como Pinheiro, Mutange e Bom Parto, evidências de que se tratava da mesma causa: a mineração da Braskem.

O novo mapa, com uma atualização parcial, foi entregue na terça-feira (29) pela Defesa Civil de Maceió e a Defesa Civil Nacional, com o apoio técnico do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), ao Ministério Público Federal (MPF). A versão 3 do Mapa de Setorização de Danos recomenda a realocação total de 1.587 imóveis que se encontravam em área de monitoramento, mais a inclusão de nova área no Mapa com 119 imóveis localizados em Bebedouro (que estavam fora do mapa), totalizando 1.706 imóveis para realocação. A nova área em Bebedouro está sendo incluída já com recomendação de realocação devido às evidências de alagamento e feições em decorrência da subsidência que afeta a região.

Parte da área com recomendação de realocação destacada na versão 3 do Mapa de Setorização de Danos havia sido sugerida pela Braskem, com base nos estudos de três instituições contratadas pela empresa. As Defesas Civis Municipal e Nacional, com o apoio técnico da CPRM, ajustaram o polígono e recomendam realocação de novas áreas com base nos estudos e nas evidências apresentadas também durante o monitoramento contínuo da área afetada, realizado em Bebedouro desde junho deste ano, graças à insistência do Movimento Luto por Bebedouro, apoio irrestrito da Associação do Empreendedores do bairro do Pinheiro, liderada por Alexandre Sampaio, e a assessoria jurídica do advogado Bruno Araújo.

“As instituições contratadas pela Braskem mostraram o que todos os moradores de Bebedouro já sabiam: índice elevado de subsidência e futuros colapsos de minas com impacto na superfície. Esta é a primeira vitória, mas nossa luta continua. Cada imóvel precisa ser selado e cada morador ou empreendedor indenizado. É triste saber que vamos ter que sair, mas agora há o alívio de que essas áreas foram incluídas para indenização”, defende Israel Lessa.

“Agora estamos aguardando uma segunda reivindicação: a inclusão do Flexal de Cima e do Flexal de Baixo, ambos de Bebedouro, nas áreas a serem seladas e indenizadas, tendo em vista que a perícia independente feita por um engenheiro civil mostrou que quatro em cada cinco casas dessas localidades estão em estado crítico e devem ser desocupadas com urgência. Há mais de 40 dias esperamos resposta de um pedido de visita do MPF ao local, bem como uma audiência com representantes dos moradores, pedido este que foi entregue junto com o laudo da perícia independente”, lembra Israel Lessa.

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