EDUCAÇÃO

Orçamento para 2026 é inferior ao mínimo necessário, diz reitor da Ufal

Segundo Josealdo Tonholo, orçamento para 2026 é 13% menor em relação ao ano anterior
Por Assessoria 07/01/2026 - 19:59
A- A+
Bianca Amâncio
Reitor da Ufal se une aos reitores do NE pela recomposição orçamentária
Reitor da Ufal se une aos reitores do NE pela recomposição orçamentária

O reitor da Universidade Federal de Alagoas, Josealdo Tonholo, demonstra grande preocupação com os rumos da instituição em 2026, considerando que o orçamento para este ano está 13% menor em relação a 2025. Ele explica que a maior preocupação é em relação aos recursos de manutenção que mantêm o funcionamento regular da Universidade.

“Esses recursos tiveram corte de quase R$ 7 milhões, e isso vai impactar nos contratos de limpeza, segurança, etc, além do forte impacto que teremos na assistência estudantil, com cerca de R$ 600 mil de corte. Começaremos 2026 com um orçamento bastante inferior ao mínimo necessário para fazer a universidade funcionar a contento”, reforçou.

“Somos o maior vetor de desenvolvimento do estado de Alagoas! Vamos trabalhar com dificuldades, mas vamos sobreviver. O que não falta é competência e capacidade de trabalho para todo o time da Ufal, estudantes, técnicos e docentes. E a sociedade sabe da nossa importância. Pergunte a quem usa o HU [Hospital Universitário Professor Alberto Antunes]. Nosso HU teve 98% de avaliações excelentes pelos usuários”, destacou.

Tonholo se uniu aos demais reitores e reitoras das universidades federais do Nordeste e também assinou nota conjunta que pede a recomposição orçamentária das Instituições Federais de Educação Superior (Ifes) para garantir inclusão e desenvolvimento regional.

Tonholo diz que a Ufal e as demais universidades vão continuar conversando com o MEC e com a bancada federal.

“Também vamos trabalhar com todas as prefeituras das cidades onde estamos instalados presencialmente, e vamos continuar com a parceria estratégica que temos com o governo do estado de Alagoas”, afirmou, ao confirmar que a articulação é fundamental para avançar: “A Andifes está prevendo uma reunião com o MEC no final do mês de janeiro para tratar do problema com o ministro Camilo Santana, que está devidamente atualizado sobre a situação de cada instituição”.

E completa: “Ficamos muito tristes em ver esta situação claudicante das universidades federais. Todas com os mesmos gargalos, com situação orçamentária que difere muito da qualidade do trabalho que apresentamos. Veja como exemplo os excelentes resultados que estamos tendo na área de pesquisa e pós-graduação, com aumento substancial de oferta de cursos e aumento da nota destes cursos junto à Capes. Ou então a abertura de novos cursos que vão fazer a diferença para Alagoas, como a graduação em Inteligência Artificial, que começa no segundo semestre deste ano, com a seleção pelo Enem/Sisu. Isto faz parte do pacote na área de inovação, de uma revolução silenciosa que está acontecendo em Alagoas, a partir da Ufal e seus parceiros”.

Confira abaixo a nota conjunta assinada por reitores e reitoras das Ifes do Nordeste:

Universidades federais do Nordeste defendem recomposição orçamentária para garantir inclusão e desenvolvimento regional

Em nota recente, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) alertou toda a sociedade brasileira para sua profunda preocupação com os cortes promovidos pelo Congresso Nacional no orçamento das universidades federais durante a tramitação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa) de 2026. Em especial, a manifestação destacou a grave situação do orçamento destinado à Política Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes), cujo nível de financiamento compromete diretamente a permanência de estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica nas instituições federais de ensino superior.

As universidades federais constituem instrumentos estratégicos para o enfrentamento das desigualdades sociais e das assimetrias regionais, bem como para a promoção da inclusão social. Nas últimas décadas, essas instituições passaram por um intenso processo de expansão e interiorização, ampliando de forma significativa o acesso ao ensino superior público, gratuito e de qualidade.

No Nordeste, essa política pública teve papel decisivo na democratização do acesso à universidade e na indução de um desenvolvimento regional consistente e sustentável, alicerçado na educação, na ciência, na tecnologia e na inovação, contribuindo para o reposicionamento da região no cenário nacional. Destaca-se, ainda, a relevante atuação das universidades na promoção da cultura e na oferta de serviços e ações de saúde de qualidade à população.

Diante desse contexto, somado ao fato de que a proposta orçamentária para 2026 enviada ao Congresso Nacional pelo governo federal já se mostrava insuficiente para fazer frente às necessidades de nossas comunidades acadêmicas, nós, reitoras e reitores das universidades federais do Nordeste, plenamente conscientes do papel estratégico de nossas instituições para o desenvolvimento social, econômico e humano da região, reforçamos a urgente necessidade de recomposição e suplementação do orçamento das universidades federais. Reafirmamos, ainda, nosso compromisso permanente com a defesa de um financiamento adequado e sustentável da educação superior pública, gratuita e de qualidade, condição indispensável para a garantia do direito à educação e para o futuro do país.


Encontrou algum erro? Entre em contato