Santana do ipanema
MPAL denuncia seis PMs por tortura e morte em abordagem no Sertão
Promotoria pede afastamento imediato dos agentes da COPES envolvidos no caso
O Ministério Público de Alagoas (MPAL) denunciou seis policiais militares pelo crime de tortura, em um caso que resultou na morte de Rogério Almir dos Santos Silva, durante uma abordagem policial em Santana do Ipanema, no Sertão alagoano. O crime ocorreu em 9 de julho de 2025, durante uma ação da guarnição COPES/CAATINGA em uma residência.
Segundo a denúncia, além de Rogério Almir, outro homem que estava no local também teria sido torturado pelos policiais durante a operação. O MPAL solicitou ainda o afastamento imediato dos militares das atividades operacionais, para garantir a ordem pública enquanto o processo judicial tramita.
Os policiais denunciados são Ulisses de Souza, Lucas Cruz, José Jeferson Pereira, Pablo Victor, Renan Vitor e John Felipe Rocha. De acordo com o Ministério Público, todos teriam participado diretamente das agressões ocorridas no interior do imóvel.
Em depoimento, os policiais relataram que Rogério teria passado mal e caído de uma calçada, sendo socorrido para um hospital, onde morreu. No entanto, o laudo do Instituto Médico Legal (IML) contradiz essa versão. Conforme o exame pericial, a causa da morte foi asfixia por aspiração de sangue, provocada por lesões internas no pescoço e no tórax.
“O sangue teve origem em traumas internos compatíveis com tortura”, aponta o laudo técnico anexado à denúncia. A perícia também identificou manchas de sangue humano no piso da cozinha da residência, que apresentava sinais de arrombamento e desorganização.
Ainda conforme o MPAL, o objetivo da ação policial seria obter informações sobre tráfico de drogas. No local, foram apreendidas 200 pedras de crack e uma nota de R$ 20. Outras duas pessoas relataram ter sofrido agressões durante a abordagem.
Dois policiais que atuavam como motoristas das viaturas não foram denunciados, pois não entraram no imóvel e não há indícios de participação nos crimes. Um homem identificado como Edson Silva também não foi incluído como vítima, por falta de provas, segundo o Ministério Público.



