Tortura

Ministério Público denuncia babá acusada de maus-tratos a criança autista

Mulher atentou contra a vida da criança, indefesa e com limitações, de forma consciente e voluntária
Por MPAL 06/02/2026 - 16:28
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Reprodução
Promotora de Justiça Viviane Farias
Promotora de Justiça Viviane Farias

Ouvidas testemunhas com relatos estarrecedores sobre atos de violência praticados contra um menino com Transtorno do Espectro Autista (TEA), na cidade de Arapiraca, o Ministério Público de Alagoas (MPAL), por meio da Promotoria da Infância e da Juventude da Comarca ofertou denúncia por tortura contra a babá contratada para cuidar da criança enquanto a mãe se ausentava para o trabalho. 

Pelos depoimentos das testemunhas e pelos demais documentos acostados aos autos, restaram indiscutíveis a autoria delitiva. No dia 30 de janeiro, a promotora de Justiça Viviane Farias, titular da mencionada unidade ministerial, já havia instaurado um procedimento preliminar e acionado as autoridades competentes para que fossem adotadas todas as medidas investigatórias e elaborado o inquérito policial.



A promotora entende o caso como uma estupidez, enfatizando que a vítima, além de já ser vulnerável pela idade, é portadora de TEA, suporte 3, e não verbal o que torna mais grave a situação quanto aos atos praticados.

“Sustentaremos, após os depoimentos colhidos, que ela atentou contra a vida da criança, indefesa e com limitações, de forma consciente e voluntária. E, reincidentemente, a submetia a agressões física e verbal, com palavras de baixo calão, afetando o fator psicoemocional do menino. Para o Ministério Público, a denunciada incidiu na prática de tortura, castigo, inclusive teria comentado que mataria o infante”, afirma a promotora.

O exame de corpo de delito comprovou as suspeitas, afirmando a existência de lesões no corpo da criança. No entanto, conforme o entendimento do MPAl, as condutas imputadas à denunciada ultrapassam os limites do crime de maus tratos e lesão corporal.

“Não há como ficar inerte diante de uma situação que ultrapassa qualquer grau de crueldade contra uma criança indefesa. A violência era tanta que vale lembrar o relato dos vizinhos em relação a mulher obrigando o menino a comer material fecal. A mãe da criança afirmou que, por vezes, teria sentido um mau odor na boca do filho e a agressora dizia que era problema de garganta, ou seja, ela fazia tudo em sã consciência e já tinha as justificativas preparadas”, reforça Viviane Farias.

As testemunhas registraram os fatos em áudio desbancando todas as negativas apresentadas pela suspeita durante sua oitiva.


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