Coité do Nóia

Investigação sobre estupro revela esquema que movimentou R$ 305 milhões

Apuração que buscava localizar 'Vitinho' levou a grupo suspeito de lavagem de dinheiro
Por Larissa Cristovão - Estagiária sob supervisão 10/07/2026 - 21:15
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Reprodução
Somente na conta do pai do jovem, conhecido como “Vitinho”, havia movimentação de R$ 150 milhões em quatro anos.
Somente na conta do pai do jovem, conhecido como “Vitinho”, havia movimentação de R$ 150 milhões em quatro anos.

As investigações para localizar Victor Bruno da Silva, de 18 anos, suspeito de estuprar e provocar graves lesões na jovem Maria Daniella Ferreira, em Coité do Noia, levaram a Polícia Civil a descobrir um suposto esquema milionário de lavagem de dinheiro e fraudes fiscais. Segundo a corporação, um grupo investigado teria movimentado cerca de R$ 305 milhões em quatro anos.

A informação foi divulgada nesta sexta-feira, 10, pelo delegado José Carlos, da Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), durante coletiva realizada após a prisão do suspeito.

De acordo com o delegado, a investigação financeira começou depois que a Delegacia de Capturas (Deic) encontrou dificuldades para localizar Victor Bruno, que estava foragido desde fevereiro deste ano. Com autorização judicial, os investigadores passaram a analisar movimentações bancárias de pessoas ligadas ao acusado.

Segundo a Polícia Civil, apenas o pai de Victor Bruno teria movimentado aproximadamente R$ 150 milhões no período de quatro anos. As apurações apontam que ele seria o líder de uma organização criminosa formada por seis pessoas físicas e jurídicas, suspeita de atuar com lavagem de dinheiro, fraude eletrônica e crimes contra a ordem tributária.

Ainda conforme a investigação, o grupo utilizava contas de terceiros e de empresas para movimentar recursos de forma irregular. A polícia afirma que duas empresas investigadas recolhiam valores considerados baixos em impostos, apesar de registrarem movimentações milionárias.

Nesta sexta-feira, a operação cumpriu mandados em sete endereços e teve cinco alvos, incluindo Victor Bruno. Durante as diligências, foram apreendidos documentos, celulares, veículos e cerca de R$ 90 mil em dinheiro. A Polícia Civil também solicitou o bloqueio de valores vinculados aos investigados.

Segundo o delegado José Carlos, o objetivo da operação foi interromper o fluxo financeiro que, de acordo com a investigação, sustentava a fuga do suspeito.

Relembre o caso

Victor Bruno é investigado por dopar, estuprar e agredir Maria Daniella Ferreira, de 19 anos, em dezembro de 2024, em uma chácara localizada na zona rural de Coité do Noia.

Conforme a Polícia Civil, exames periciais identificaram medicamentos no organismo da vítima, indicando que ela teria sido dopada antes do abuso sexual. A jovem também sofreu agressões físicas e asfixia, o que provocou graves sequelas neurológicas.

Maria Daniella passou dias internada, ficou em coma e ainda enfrenta limitações motoras, necessitando de acompanhamento médico e sessões de reabilitação.

Após meses foragido, Victor Bruno se apresentou à Polícia Civil nesta sexta-feira, 10, quando teve a prisão preventiva cumprida. O caso segue sob investigação.


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