DECISÃO

STF bloqueia bens de investigados no caso Iprev Maceió. Veja quem são

André Mendonça autoriza sequestro de ativos inanceiros no mesmo valor das operações investigadas
Bianca Amancio
Polícia Federal realiza operação no Iprev
Polícia Federal realiza operação no Iprev

O Ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal (STF) determinou o sequestro, bloqueio e indisponibilidade de bens de pelo menos seis pessoas envolvidas no esquema de fraude que pode ter lesado em R$ 97 milhões a R$ 117 milhões os cofres do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev). Os recursos, destinados a aposentadorias, foram investidos em Letras Financeiras do Banco Master - sem garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC)- entre 2023 e 2024, e viraram alvo da Polícia Federal e da Controladoria Geral da União (CGU) por suspeitas de fraude e descumprimento de regras de risco.

A decisão do ministro atinge Ronnie Reyner Teixeira Mota, Gustavo Antônio Rodrigues de Souza, Renan Foglia Calamia, Marília Alexandre de Lima Alves, Marcelo Brasileiro Santos e João Felipe Alves Borges, além das pessoas jurídicas por eles controladas. 

O pedido tem como limite o valor de R$ 97 milhões e compreende ativos financeiros, veículos, imóveis, participações societárias, investimentos e outros bens economicamente apreciáveis, inclusive os mantidos por interpostas pessoas, desde que demonstrado vínculo objetivo.

O ministro negou o afastamento e impedimento de exercício de função pública para os seis investigados, solicitados pela Polícia Federal. A medida era postulada para impedir reiteração, interferência na colheita da prova, destruição documental e influência sobre subordinados ou estruturas administrativas. Segundo André Mendonça, não foram demonstrados riscos concretos e atuais de que a permanência dos investigados nessas funções pudesse interferir na apuração. “Carece o pedido da necessária identificação dos elementos que indiciariam, de forma concreta, o modo pelo qual os investigados se utilizariam das posições públicas eventualmente ocupadas para obstaculizar a atividade probatória ou prosseguir no cometimento de ilícitos”, registrou o ministro.

As investigações mostram que Ronnie Mota, ex-presidente do Iprev indicado ao cargo pelo ex-prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), em maio de 2023, fazia movimentações em espécie e aquisições patrimoniais aparentemente incompatíveis com os rendimentos declarados no período analisado, mencionando depósitos fracionados, pagamento parcialmente realizado em dinheiro na aquisição de veículo e compra de unidade imobiliária com pagamento em espécie. Os dados são invocados como elementos de probabilidade e de risco de ocultação patrimonial.

Ronnie foi secretário do Gabinete de Gestão Integrada (GGI) criado pela Prefeitura de Maceió para auxiliar as negociações envolvendo a tragédia do afundamento do solo de cinco bairros pela mineração da Braskem e ficou à frente do processo que definiu questões financeiras no acordo fechado entre o Município e a mineradora.

O ministro descreve na petição que Ronnie Mota era diretor-presidente do Iprev/Maceió e como autoridade máxima da autarquia, ocupava posição central no seu processo de investimentos. Ele subscreveu as Autorizações de Aplicação e Resgate relacionadas aos aportes investigados. Sua atuação não é inferida apenas do cargo: a assinatura das APRs o vincula diretamente à formalização das operações, aos valores, às datas e às condições financeiras escolhidas.

Os alvos da operação da Polícia Federal em Maceió:

  • Ronnie Reyner Teixeira Mota: ex-diretor-presidente da Iprev de Maceió. É investigado por assinar as autorizações dos aportes sob suspeita e por indícios de enriquecimento ilícito, como a compra de imóveis e veículos com dinheiro em espécie.
  • Gustavo Antônio Rodrigues de Souza: ex-coordenador-geral de Investimentos do Iprev no período dos fatos. Segundo a PF, atuava no núcleo técnico responsável por instruir os processos e validar as análises de risco antes de enviá-las para a presidência.
  • Renan Foglia Calamia: dirigente e principal interlocutor técnico da consultoria Crédito & Mercado. É suspeito de articular pareceres para favorecer o Banco Master.
  • Marília Alexandre de Lima Alves: integrante do núcleo de governança do Iprev e vinculada à Secretaria Municipal da Fazenda. Segundo a PF, era signatária de deliberações relacionadas às operações investigadas.
  • Marcelo Brasileiro Santos: participante do Comitê de Investimentos do Iprev, atuando em órgãos de fiscalização e representação dos segurados.
  • João Felipe Alves Borges: membro do Conselho de Administração do Iprev e atual secretário municipal de Fazenda de Maceió.


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