Justiça
MP de Alagoas denuncia empresa e sócios por morte de 80 cavalos de raça
Animais de um haras em Atalaia foram intoxicados com ração que provocou falência orgânica fatal
A morte de 80 equinos da raça Mangalarga Marchador, que gerou compadecimento e revolta da população de Atalaia e deu um prejuízo de mais de R$ 82,5 milhões aos proprietários do Haras Nova Alcateia, em abril do ano passado, se aproxima do julgamento dos responsáveis.
O Ministério Público, através da 2ª Promotoria de Justiça Local, denunciou a empresa Nutratta Nutrição Animal Limitada S.A., seu sócio majoritário e o administrador operacional e financeiro pelo fornecimento das rações NutriMax e Forragem Horse, que levaram os animais ao óbito.
Para reparar os danos, o promotor de justiça Ary Lages Filho pede o sequestro e indisponibilidade de bens móveis e imóveis, ativos financeiros e participações societárias da pessoa jurídica e dos denunciados. O membro ministerial teve acesso aos vídeos feitos com os animais após a intoxicação e afirma ser estarrecedor.
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“As imagens provocam compadecimento, os cavalos agitados sentindo dores, metendo a cabeça na parede, cegos, muito sangue no local. Há laudo comprovando a contaminação ocorrida em decorrência da ração oferecida pela Nutratta, o que provocou falência orgânica compatível com intoxicação alimentar. O Haras se dedica à criação genética de equinos dessa raça há mais de 50 anos, confiou na empresa e teve esse tremendo prejuízo. Os donos sofreram um tremendo baque financeiro, mas há também o emocional presenciando o sofrimento dos bichos e é preciso que os envolvidos nesse crime sejam responsabilizados”, destaca Ary Lages.
Produtos tóxicos
Os 80 equinos, considerados de elevado valor genético, apresentaram quadro grave de letargia, taxia, marcha em círculos, cegueira, compressão cefálica e insuficiência hepática. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária ( MAPA), a ração continha elementos altamente tóxicos.
Foram encontrados indícios de monocrotalina e o alcaloide pirrolizidinico em plantas do gênero Crotalaria, entrando na referida produção da Nutratta por meio de resíduo de soja contaminado, insumo proibido para alimentação animal. Também foi constatado durante a inspeção, armazenamento inadequado das matérias-primas, ausência de segregação, mistura de insumos e falta de pesagem individualizada aplicada na produção.
Segundo o promotor Ary Lages, “o pior é constar nos autos que, além de negligenciar, os administradores da empresa tinham conhecimento da contaminação e, mesmo assim, continuavam fornecendo produtos sem a menor intenção de esbarrar o problema. Além de a própria gerente de produção, em seu depoimento, afirmar que eles apresentavam informações falsas em notas técnicas. E isso é gravíssimo”.
Pelos autos, a empresa Nutratta começou a receber reclamações de mortes no dia 24 de abril de 2025, porém, iniciou as investigações internas quase três semanas após. Para além, o recolhimento parcial dos seus produtos só aconteceu em 5 de maio, quando as mortes se multiplicaram pelo Brasil.
Para o MPAL, eles cometeram:
– Crime ambiental conforme o artigo 56 da Lei número 9.605/ 98;
– Crime contra as relações de consumo de acordo com o artigo 7º inciso 9º da lei número 8.137/ 90;
Além dos 80 equinos mortos no Haras Nova Alcatéia, em Atalaia, foram registradas, pelo menos, mais 284 mortes de cavalos em vários estados da federação. Vale lembrar que com a repercussão dos fatos, um dos gestores da Nutratta declarou em público, no dia 20 de maio de 2025, que o problema estaria sanado, induzindo a clientela a dar mais um crédito e continuar consumindo o produto contaminado.




