MEIO AMBIENTE

MPF busca garantir pesca tradicional nas praias de Barra de Santo Antônio

Reunião discutiu retirada de obstáculos à pesca de arrasto
ICMBio APACC
A reunião integra inquérito civil conduzido pelo Ofício de proteção às comunidades tradicionais do MPF
A reunião integra inquérito civil conduzido pelo Ofício de proteção às comunidades tradicionais do MPF

O Ministério Público Federal (MPF) reuniu órgãos públicos, representantes dos pescadores e empreendimentos turísticos para buscar soluções que garantam a continuidade da pesca artesanal de arrasto em Barra de Santo Antônio, no litoral norte de Alagoas. A atividade, praticada tradicionalmente na região, enfrenta dificuldades relacionadas à ocupação da faixa de areia, da restinga e até do mar, em trechos utilizados pelos pescadores para lançar e recolher as redes.

A reunião integra inquérito civil conduzido pelo Ofício de proteção às comunidades tradicionais do MPF em Alagoas, instaurado a partir de relatos de dificuldades enfrentadas pelos pescadores para continuar exercendo a atividade em áreas tradicionalmente utilizadas pela comunidade. Entre as situações apuradas estão a presença de estruturas na faixa de areia e na restinga e outros obstáculos que podem interferir no lançamento e recolhimento das redes dentro do mar.

Para o procurador da República Eliabe Soares, a busca por soluções considera a importância das atividades econômicas desenvolvidas no município, mas destaca a necessidade de preservar uma prática que faz parte da história e da subsistência de famílias da região. “A pesca tradicional já era exercida ali muito antes da instalação dos empreendimentos. O que buscamos é construir soluções que permitam a convivência das diferentes atividades, sem que o desenvolvimento econômico impeça essas comunidades de continuar trabalhando, garantindo seu sustento e reproduzindo seu modo de vida”, destacou.

Durante a reunião, representantes do ICMBio e do IMA explicaram que a pesca de arrasto depende não apenas do mar. A faixa de areia e áreas próximas à restinga são essenciais para que os pescadores consigam puxar as redes, especialmente durante a maré cheia, quando o espaço disponível diminui.

Na atividade, uma pequena embarcação leva a rede mar adentro e realiza um cerco. Depois, a rede é puxada da praia pelos pescadores. Cada rede pode alcançar entre 100 e 150 metros, e diferentes grupos trabalham simultaneamente ao longo da costa. Segundo o ICMBio, cerca de 15 núcleos de pescadores utilizam a região.


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