Justiça

Serial Killer de Maceió retoma versão de matar a mando do Arcanjo Miguel

Albino Santos é julgado nesta quarta-feira pela execução de Mikaela Leite, sua ex-namorada
Ana Luíza Ambrózio
Albino Santos de Lima responde sobre o assassinato de MIkaele Leite
Albino Santos de Lima responde sobre o assassinato de MIkaele Leite

O réu Albino Santos de Lima, conhecido como o ‘serial killer’ de Maceió, está sendo julgado nesta quarta-feira, 7, pelo assassinato da jovem Mikaele Leite da Silva, que foi executada em outubro de 2023. No depoimento, o réu voltou a repetir a versão de que seguiu a determinação do Arcanjo Miguel para tirar a vida da moça, com quem teve um namoro no passado, uma tentativa de levar jurados a acreditar em desajuste mental, segundo promotores.

A promotora de Justiça Adilza de Freitas, observou que Albino executou sua vítima porque ela deixou de atender às suas investidas para reatar o relacionamento. Mikaele Leite foi assassinada nas proximidades da Padaria do Tenório, no conjunto Joaquim Leão.

Interrogado se havia matado Mikaele, Albino negou e atribuiu a autoria do crime à figura do arcanjo. “Quem matou? Miguel. Arcanjo Miguel”, respondeu o réu, ao ser questionado pelo juiz Geraldo Amorim. O réu também disse não saber informar qual arma teria sido utilizada ou quantos disparos foram efetuados contra Mikaele Leite. Ele negou conhecer a vítima, que tinha um filho pequeno.

A promotora ressaltou que espera uma condenação alta para Albino Santos e defendeu para casos semelhantes, a prisão perpétua. "Deveria haver no Brasil, para esse tipo de criminoso, a prisão perpétua", disse. A promotora responsável pela acusação também afirmou que o processo representa uma oportunidade de dar resposta à família da vítima.

“Não é mais um julgamento. É a oportunidade de dar uma resposta para uma família que está enlutada, que carrega uma dor”, afirmou a promotora.

Num dos momentos do interrogatório, a promotora perguntou ao réu se alguma vez o "Arcanjo" mandou que ele se mutilasse. "Respondeu que não. Perguntei se o Arcanjo já mandou se matar, ele disse que não, mas afirmou que o Arcanjo Miguel já mandou ele pular [cometer suicídio] de algum lugar. Questionei: mas, o senhor não pulou".

A promotora também alertou aos jovens e pais de adolescentes para ficarem atentos com a exposição nas redes sociais. Segundo o inquérito, o réu fez as investidas acessando a internet. A representante do MPAL também contestou a alegação de inimputabilidade apresentada pela defesa.

Segundo a promotora, foi instaurado incidente de insanidade mental para avaliar as condições do réu e, conforme a acusação, o exame concluiu que Albino tinha capacidade de compreender o caráter ilícito dos atos e de se determinar de acordo com esse entendimento.

A promotora enfatizou ainda que Albino teria agido de forma planejada em crimes atribuídos a ele. Durante as investigações, segundo o MP, foram encontradas pastas com informações sobre vítimas e datas relacionadas às execuções. “Ele sente prazer em matar. No caso da Mikaele não foi diferente", disse.


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