INVESTIGAÇÃO

Gaspar poupou ‘big boss’ da fraude do INSS em relatório da CPMI, diz site

Parlamentar teria conhecimento de referências ao empresário durante as investigações
Bruno Fernandes
Gaspar poupou ‘big boss’ da fraude do INSS em relatório da CPMI, diz site
Gaspar poupou ‘big boss’ da fraude do INSS em relatório da CPMI, diz site

O deputado federal alagoano Alfredo Gaspar (PL), candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro, deixou de incluir o empresário Wilson Roberto Gomes entre os 216 nomes para os quais propôs indiciamento no relatório da CPMI do INSS. Segundo reportagem publicada pelo Intercept Brasil na quinta-feira, 15, o parlamentar já tinha conhecimento de referências ao empresário durante as investigações sobre descontos indevidos em aposentadorias. Gaspar nega ter protegido qualquer investigado.

A existência dessas referências é confirmada pelas notas taquigráficas do Senado. Em 4 de dezembro de 2025, Gaspar perguntou ao investigado Américo Monte Júnior qual era sua relação com Wilson Roberto Gomes. O depoente preferiu permanecer em silêncio, amparado por uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo o Intercept, Wilson Gomes é pai de Felipe Macedo Gomes, apontado como integrante do grupo conhecido como Golden Boys, investigado por suspeitas de fraudes em descontos associativos sobre benefícios do INSS. A reportagem afirma que Wilson teria atuado como intermediário entre integrantes do grupo e José Carlos Oliveira, ex-presidente do instituto e ex-ministro da Previdência no governo Jair Bolsonaro.

A investigação jornalística também identificou movimentações financeiras consideradas suspeitas. Conforme o Intercept, relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) registraram quase R$ 10 milhões movimentados em uma conta de Wilson entre dezembro de 2024 e junho de 2025. Desse montante, mais de R$ 4,2 milhões teriam vindo de contas ligadas ao grupo investigado. As transações, isoladamente, não comprovam participação na fraude.

Ainda de acordo com o veículo, Wilson teria destinado pelo menos R$ 5 milhões à compra de um helicóptero, posteriormente atingido por uma ordem judicial de bloqueio. A reportagem também aponta movimentações atípicas envolvendo Ygor Buttarello Gomes, outro filho do empresário, que igualmente não foi incluído entre os nomes propostos para indiciamento por Gaspar.

Gaspar nega proteção e justifica ausência de nomes

Em resposta ao Intercept, Alfredo Gaspar afirmou que não encontrou "elementos probatórios suficientes/mínimos para justificar indiciamento" de Wilson e Ygor. O deputado, que foi procurador-geral de Justiça de Alagoas e atuou no combate ao crime organizado, sustentou que seriam necessárias novas diligências para esclarecer a eventual participação dos empresários nas irregularidades.

Gaspar atribuiu a parlamentares do PT e de partidos aliados ao governo federal dificuldades para aprofundar as investigações, alegando que requerimentos e pedidos de quebra de sigilo foram barrados. Também afirmou que seu relatório foi elaborado com critérios técnicos, sem favorecimento político, e ressaltou que a ausência de um nome no documento não impede novas apurações pela Polícia Federal e pelo Ministério Público.

Defesas contestam suspeitas

Ao Intercept, a defesa de Wilson Gomes negou qualquer vínculo do empresário com as associações investigadas ou recebimento de pagamentos por serviços prestados a elas ou ao INSS. Os advogados informaram que documentos sobre a regularidade de seu patrimônio foram apresentados ao STF, em procedimentos sob sigilo. O ex-ministro José Carlos Oliveira também negou irregularidades e afirmou que não recebeu solicitações de Wilson para aprovar acordos com o instituto.

O relatório elaborado por Gaspar, que propunha o indiciamento de 216 pessoas, foi rejeitado pela CPMI em 28 de março, por 19 votos a 12. Segundo o Senado Federal, a comissão encerrou os trabalhos sem aprovar um relatório final. Assim, as propostas de indiciamento apresentadas pelo deputado não foram adotadas oficialmente pelo colegiado.


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