Justiça
Serial killer de Maceió é condenado a 60 anos de prisão por duplo homicídio
Sentenças chegam a 294 anos de prisão e Albino Santos ultrapassa tempo do Maníaco do Parque de SP
O serial killer de Maceió, Albino Santos de Lima, recebeu nesta quinta-feira, 22, mais uma condenação de 60 anos de reclusão na sua 10ª passagem como réu pelo Tribunal do Juri, em Maceió. Desta vez, as sentenças são pelas mortes da jovem Débora Vitória Silva dos Santos, de 21 anos, e do namorado dela John Lenno Santos Ferreira, de 20, executados a tiros em dezembro de 2023 no bairro Levada, na capital alagoana.
Albino já havia recebido nove sentenças que totalizaram pouco mais de 234 anos de prisão em outros julgamentos. Com a pena proferida nesta quinta-feira, ele ficará - teoricamente - no sistema prisional e fora do convício social por 294 anos, ultrapassando a soma das condenações do Maníaco do Parque. Francisco de Assis Pereira, o serial killer que agia em São Paulo em 1998, foi condenado a 285 anos de prisão por homicídios, estupros e outros crimes.
O juiz o juiz Geraldo Amorim leu as duas sentenças ao final do julgamento realizado no Fórum em Maceió: pela execução de John Lenno, a pena-base foi de 27 anos. Porém, por se tratar de homicídio qualificado com motivo fútil, a pena intermediária aumentou e foi fixada em 30 anos de reclusão. O mesmo entendimento foi aplicado na sentença pelo homicídio de Débora Vitória.
No julgamento desta quinta-feira, o promotor Vilas Boas lembrou que as vítimas Débora e John, filmadas pelo serial killer, foram mortas a caminho de uma igreja evangélica. Nesse caso específico, Albino negou a autoria dos disparos, mas não disse que o autor era o ‘Arcanjo Gabriel’, como afirmou em outros julgamentos na tentativa de induzir os jurados a acreditarem em sua insanidade mental.
No depoimento, Albino disse que estava em casa no momento do crime do casal e que era inocente. Também acusou a polícia de mentir ao atribuir a ele a autoria dos assassinatos e denunciou que era perseguido pelos policiais no bairro. O promotor mostrou a foto do casal que foi localizada numa pasta criada por Albino, onde havia escrito a data escolhida para o duplo homicídio.
Relembre as nove condenações de Albino Santos
Desde abril de 2025, Albino passou por nove julgamentos, envolvendo homicídios consumados, tentativas de assassinato e outros crimes relacionados aos ataques. Veja as penas aplicadas e os respectivos casos:
11 de abril de 2025 — 37 anos, 1 mês e 15 dias: assassinato do barbeiro Emerson Wagner da Silva e tentativa de homicídio contra outro jovem, após um desentendimento envolvendo a namorada da vítima.
6 de junho de 2025 — 24 anos e 6 meses: assassinato a tiros de Louise Gbyson Vieira de Melo, uma mulher trans, no Vergel do Lago.
31 de julho de 2025 — 24 anos e 6 meses: assassinato da adolescente Ana Clara Santos Lima, de 13 anos, perseguida e morta a tiros no Vergel do Lago.
4 de setembro de 2025 — 14 anos e 7 meses: tentativa de homicídio contra Alan Vítor dos Santos Soares, atingido por quatro tiros e sobrevivente do ataque.
31 de outubro de 2025 — 27 anos, 1 mês e 10 dias: assassinato de Tâmara Vanessa dos Santos e tentativas de homicídio contra José Gustavo Carvalho e Leidjane Gomes de Freitas.
13 de novembro de 2025 — 24 anos, 11 meses e 8 dias: assassinato de Beatriz Henrique da Silva e lesão corporal contra o filho dela, de quatro anos.
5 de março de 2026 — 22 anos, 5 meses e 15 dias: assassinato de Genilda Maria da Conceição, de 71 anos, morta enquanto levava o neto à escola.
15 de maio de 2026 — 29 anos e 1 dia: assassinato de Joseildo Siqueira Silva Filho, conhecido como Pikeno. Segundo a acusação, Albino tinha interesse na companheira da vítima.
7 de outubro de 2026 — 30 anos: assassinato de Mikaele Leite da Silva, morta após rejeitar investidas do condenado, conforme a acusação. Preso desde setembro de 2024, Albino também é investigado por outros crimes. A Polícia Civil atribuiu a ele 18 homicídios consumados e seis tentativas de assassinato, casos que não foram todos julgados.



