FUGINDO DA CULPA
Bruno foge de perguntas sobre o caso Eliza
Depois de quase sete anos preso pela participação na morte da ex-amante, Bruno teve, nesta terça-feira, seu primeiro contato com o futebol profissional. Assinou contrato, deu entrevista coletiva, correu em volta do gramado e foi recebido
por uma pequena torcida. Exceção feita à imprensa, ninguém parecia querer
lembrar por que a ocasião era atípica. Eliza Samudio e o assassinato que
condenaram o goleiro a mais de 22 anos de prisão em primeira instância foram
ignorados por quase todos os envolvidos.
O primeiro ato do retorno foi por volta das 9h, quando Bruno chegou ao hotel onde o Boa Esporte fica hospedado em Varginha. Depois de assinar um contrato de dois anos, o goleiro ficou diante de repórteres que insistiram em falar sobre o processo que ainda está em andamento – Bruno aguarda o julgamento de seu recurso pelo TJ-MG e a demora na apreciação motivou o STF (Supremo Tribunal Federal) a liberá-lo da condição de prisão preventiva em que ele esteva desde 2010.
Tanto o goleiro quanto os dirigentes se recusaram a falar sobre qualquer coisa relacionada ao caso. Uma das questões, por exemplo, era se Bruno seria bom exemplo para um pai que quisesse levar seu filho ao estádio. "Eu também não te respondo a essa pergunta", disse o ex-flamenguista, durante a entrevista que ficou sob ameaça de cancelamento a cada vez que o processo era citado.
Bruno vestia uma camisa do Boa Esporte com todos os patrocinadores que anunciaram rescisão de contrato com o clube. Goi&Silva, Nutrends e Kanxa, que manifestaram o rompimento em redes sociais, foram associados ao goleiro logo na chegada, ao contrário do que se poderia esperar. O clube minimizou a debandada e ainda se gabou de estar próximo de um novo acordo.
"Nós sabíamos que às vezes poderia passar por uma situação dessa e é o que está acontecendo. A gente tem a consciência tranquila. Tivemos uma reunião com outro patrocinador e espera até segunda anunciar o outro patrocinador. É a prova de que tem pessoas que tem sua filosofia de vida e outros que são igual a mim", disse Rone Moraes, presidente do Boa.
O tom foi o mesmo adotado por Lucio Mauro, empresário de Bruno. Ele defendeu que o goleiro seja tratado apenas como jogador de futebol e repetiu o discurso sobre a importância da ressocialização do seu cliente. "Cada um tem direito à sua opinião. Eu acho que ele merece uma oportunidade. Eu já fui acusado de estar ajudando vagabundo. Então tem de ser vagabundo para sempre? Será que não é isso que falta em nosso país?", disse Lucio, que também se recusou a falar sobre temas relacionados ao processo.



