Cancelamento de viagens

123 Milhas pede recuperação judicial; entenda seus direitos

Clientes prejudicados pelo cancelamento dos pacotes promocionais da companhia devem ter mais dificuldades para conseguir reembolso
Reprodução/Adrian Pingstone
Clientes prejudicados pelo cancelamento dos pacotes promocionais da companhia devem ter mais dificuldades para conseguir reembolso
Clientes prejudicados pelo cancelamento dos pacotes promocionais da companhia devem ter mais dificuldades para conseguir reembolso

A agência de viagens 123 Milhas entrou com pedido de recuperação judicial nesta terça-feira, 29, na 1ª Vara Empresarial da Comarca de Belo Horizonte (MG). Caso o pedido seja aceito, clientes prejudicados pelo cancelamento dos pacotes promocionais da companhia devem ter mais dificuldades para conseguir reembolso.

De acordo com especialistas, a medida deve complicar não apenas o cumprimento dos acordos já firmados pela empresa após a suspensão de pacotes, mas também a continuidade de seus negócios. Também entraram no pedido de recuperação as empresas Art Viagens, de suporte para emissão de passagens por milhas, e a Novum, holding que detém 100% do capital da agência de viagens.relacionadas_esquerda

O que acontecerá caso a recuperação judicial seja aceita?

A recuperação judicial é uma maneira de a empresa dizer que está em crise e que irá apresentar um plano para se recuperar, o que causa grandes impactos nos clientes. Nesse caso, as dívidas da companhia deverão ser divididas em três partes: créditos trabalhistas, créditos com garantia real e créditos quirografários. Os direitos dos clientes entram nessa última etapa.

Pelas regras, só se avança para o pagamento da categoria seguinte se a anterior estiver totalmente satisfeita. E, caso não existam ativos suficientes para pagamento total da categoria, faz-se o rateio proporcional, o que significa que os consumidores, além de esperar por sua vez para ser ressarcido, podem receber menos do que pagaram.

Caso o pedido seja aceito, em primeiro lugar, todos os pagamentos podem ser suspensas por seis meses. Em relação à devolução de vouchers ou dinheiro, isso terá de ser discutido em um comitê de credores, que vai envolver também os clientes. Assim, a previsão é que haja uma votação sobre a forma de pagamento e quanto será pago. 

Esse plano deve ser aprovado por maioria em todas as classes do comitê e, só então, os clientes poderão começar a receber esse valor. Caso o juiz aceite o pedido, todos os consumidores e credores da 123 Milhas passarão a depender exclusivamente da realização de uma assembleia, na qual serão definidas as regularizações de pagamentos.

O que fazer caso a justiça aceite o pedido de recuperação judicial?

O Código de Defesa do Consumidor traz três opções em casos como o da 123milhas: o cliente pode exigir o cumprimento do serviço a que tinha direito, como uma obrigação de fazer; pode aceitar o voucher oferecido pela empresa; ou pode solicitar os valores em dinheiro.

Segundo especialistas, clientes que receberam vouchers da companhia antes do pedido de recuperação judicial podem "se livrar" desse processo caso a empresa decida cumprir espontaneamente com o acordo firmado. Nesse caso, a empresa poderá manter o cumprimento ou não cumprir com esses vouchers e levá-los também para o plano de recuperação.

A orientação da especialista é que os clientes aguardem a decisão da Justiça e recorram ao Procon caso se sintam lesados. Para registrar reclamação no consumidor.gov.br é preciso ter senha do Portal Gov.br. Anote protocolos e acompanhe sua reclamação.

Já para entrar com uma ação judicial, por se tratar de causa de até 40 salários mínimos, em geral, o consumidor lesado deve procurar o Juizado Especial Cível (JEC). Causas de até 20 salários mínimos, o que dá R$ 26,4 mil neste ano, não precisam de advogado.

Para entrar com uma ação no JEC, é necessário que o consumidor tenha os documentos necessários que provem o dano material. Em geral, os casos da empresa devem ser de até 20 salários mínimos. A vantagem a ação judicial é que a Justiça pode obrigar a 123milhas a devolver o dinheiro e ressarcir quaisquer outros prejuízos.

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