Saúde

Anvisa estuda retenção de receita do Ozempic para conter uso indevido

Remédio destinado ao tratamento do diabetes tipo 2, convive com o uso off label para o emagrecimento
Por Redação 26/12/2024 - 18:35
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Divulgação
Ozempic, da Novo Nordisk
Ozempic, da Novo Nordisk

A retenção de receita do Ozempic e demais medicamentos à base de semaglutida está sendo discutida pela Anvisa. O remédio blockbuster da Novo Nordisk, destinado ao tratamento do diabetes tipo 2, convive com o uso off label e indiscriminado para o emagrecimento, realidade que a agência deseja controlar com a mudança. 

Atualmente, o fármaco conta com tarja vermelha, ou seja, é necessário apresentar uma receita no ato da compra, mas ela não será retida. uso off label. Uma proposta foi apresentada em novembro para abrir um processo de regulação com o objetivo de incluir os medicamentos junto aos antibióticos na lista daqueles que somente podem ser utilizados mediante prescrição médica e retenção da receita médica.

Entidades como a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) manifestaram apoio à pauta.

Na visão das entidades, exposta por meio de carta aberta, além dos riscos inerentes ao uso da semaglutida sem acompanhamento médico, a demanda fora da indicação da bula pode prejudicar a oferta do medicamento para quem realmente precisa. A proposta deve ser avaliada pela diretoria colegiada no começo de 2025.

Além da retenção de receita, a Anvisa também estuda a possibilidade de estabelecer prazos de validade para a prescrição (90 dias) e criar mecanismos para monitorar os resultados da medida. Em paralelo, especialistas defendem que ações de conscientização também são necessárias.

Nelson Mussolini, presidente do Sindusfarma, discorda que a melhor forma de controlar o uso indiscriminado do Ozempic seja a retenção de receita. Para ele, tal decisão pode fortalecer o mercado ilegal. “Se der um Google em Ozempic, vai aparecer Ozempic em gotas, que não existe”, alerta.

Três milhões de unidades foram vendidas em 2024


Segundo dados da IQVIA, três milhões de unidades do Ozempic foram vendidas no Brasil em 2024. O instituto de pesquisa ainda aponta que, nos últimos seis anos, a venda do medicamento teve um salto de 663%.

Apenas neste ano, R$ 4 bilhões foram movimentados com a comercialização dos remédios Ozempic, Saxenda (liraglutida), Victoza (idem), Xultophy (insulina degludeca com liragutida) e Rybelsus (semaglutida), todos fabricado pela multinacional dinamarquesa.


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