queda do bolsonarismo

Cronologia da tentativa de golpe: atentados, bloqueios e acampamentos

Três anos após trama golpista, relembre os fatos que culminaram no 8 de janeiro
Por Redação 08/01/2026 - 07:09
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Marcelo Camargo/Arquivo Agência Brasil
Apoiadores de Bolsonaro invadem e depredam as sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023
Apoiadores de Bolsonaro invadem e depredam as sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023

Três anos após os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, a data é marcada por uma retrospectiva dos acontecimentos que culminaram na invasão e depredação das sedes dos Três Poderes, em Brasília, episódio que se consolidou como um dos momentos mais graves da história recente da democracia brasileira. Naquele domingo, apoiadores do então ex-presidente Jair Bolsonaro, derrotado nas eleições de 2022, marcharam pela Esplanada dos Ministérios, romperam barreiras de segurança e invadiram o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal, em um movimento que pedia a derrubada do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, empossado havia apenas uma semana.

Segundo a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República, a chamada trama golpista começou a ser articulada ainda em 2021, após Lula recuperar seus direitos políticos. A estratégia teria incluído ataques sistemáticos às instituições, questionamentos à legitimidade do sistema eleitoral e a desobediência a decisões judiciais, com o objetivo de criar um ambiente propício a uma ruptura institucional.

Após a derrota de Bolsonaro no segundo turno das eleições, em 30 de outubro de 2022, o país passou a registrar uma sequência de episódios que elevaram a tensão política. Na mesma noite da divulgação do resultado, grupos de caminhoneiros e apoiadores do ex-presidente iniciaram bloqueios em rodovias federais de diversos estados, chegando a mais de mil interdições, de acordo com a Polícia Rodoviária Federal. As ações provocaram transtornos pontuais, como dificuldades de abastecimento e cancelamento de voos, e perderam força após Bolsonaro pedir publicamente a liberação das estradas, sem, contudo, reconhecer a vitória do adversário.

Com o enfraquecimento dos bloqueios, o movimento golpista passou a se concentrar em acampamentos montados em frente a quartéis das Forças Armadas em várias capitais e cidades do interior. Nessas mobilizações, manifestantes pediam intervenção militar e questionavam o resultado das eleições. O acampamento instalado diante do Quartel-General do Exército, em Brasília, tornou-se o principal núcleo dessas ações e foi de lá que partiram os grupos que invadiram a Praça dos Três Poderes em janeiro de 2023. De acordo com a denúncia da PGR, esses acampamentos teriam contado com anuência do então presidente e se transformaram em centros de articulação e logística do movimento, posteriormente alvo de investigações e condenações judiciais.

Em dezembro de 2022, os atos passaram a assumir contornos de violência explícita. No dia 12, data da diplomação de Lula no Tribunal Superior Eleitoral, manifestantes incendiaram veículos e tentaram invadir a sede da Polícia Federal em Brasília, em uma das noites mais violentas já registradas na capital. Poucos dias depois, em 24 de dezembro, uma tentativa de atentado a bomba foi identificada nas proximidades do Aeroporto Internacional de Brasília, envolvendo integrantes ligados ao acampamento golpista do QG do Exército. O ataque não se concretizou por falha no artefato explosivo, mas resultou em condenações e em ações penais que chegaram ao STF. Apesar do clima de tensão, a posse de Lula, em 1º de janeiro de 2023, ocorreu sem incidentes relevantes. Uma semana depois, porém, os atos de 8 de janeiro evidenciaram a extensão da articulação golpista e provocaram forte reação institucional, com prisões, investigações e condenações de envolvidos.

Para marcar os três anos do episódio, instituições promoveram eventos em defesa da democracia. No Palácio do Planalto, Lula participa de uma cerimônia com autoridades e representantes da sociedade civil, enquanto o STF realiza atividades dentro da campanha Democracia Inabalada, reafirmando o compromisso com a preservação da ordem democrática e a memória dos acontecimentos.


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