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Fim do tarifaço dos EUA deve beneficiar Alagoas apenas na próxima safra

Setor sucroenergético prevê retomada gradual das exportações, mas impacto imediato será limitado
Por Redação 23/02/2026 - 08:41
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Agência Brasil
Plantação de cana-de-açúcar
Plantação de cana-de-açúcar

O fim da sobretaxa aplicada pelos Estados Unidos ao açúcar brasileiro abre nova perspectiva para o setor sucroenergético de Alagoas, mas os efeitos práticos da medida devem ser sentidos com mais intensidade apenas na próxima safra, prevista para iniciar em setembro.

No estado, onde parte das usinas já encerrou a moagem e outras estão na fase final do ciclo 2025/2026, o impacto imediato tende a ser restrito. A expectativa é que a nova janela de exportação seja melhor aproveitada no próximo ciclo, com embarques dentro da chamada Cota Americana em condições mais favoráveis.

O presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Alagoas (Sindaçúcar-AL), Pedro Robério Nogueira, avaliou a decisão como positiva, mas ressaltou a necessidade de cautela diante das etapas ainda pendentes após a decisão.

O mercado norte-americano é considerado o mais rentável para as usinas alagoanas. Embora represente cerca de 15% do volume exportado, responde por aproximadamente 20% do faturamento externo do setor, devido ao preço superior pago dentro do sistema de cotas.

Para os fornecedores de cana, a medida também gera expectativa de recuperação após meses de perdas. O presidente da Associação dos Plantadores de Cana de Alagoas (Asplana), Edgar Filho, afirmou esperar melhora nos preços pagos ao produtor, especialmente no valor do ATR e da cana.

A reversão da sobretaxa ocorreu após decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que considerou irregular a cobrança imposta em 2025 sobre produtos brasileiros, incluindo açúcar e etanol. A medida havia comprometido as exportações nordestinas, sobretudo as de Alagoas, principal fornecedor brasileiro dentro da cota americana.

Com o restabelecimento das condições comerciais, o setor aposta na retomada gradual das exportações e na recuperação das receitas externas ao longo da safra 2026/2027, ainda que o ritmo dependa da evolução dos preços e da estabilidade nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. As informações são do jornalista Edivaldo Junior.


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