TECNOLOGIA

Como a economia digital muda o trabalho informal e o MEI

Trabalho por aplicativos e uso de plataformas digitais marcam a rotina de milhões de brasileiros
Por Assessoria 12/01/2026 - 14:39
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Hoje, a economia digital define o dia a dia de quem dirige por aplicativo, faz entregas, atende clientes como MEI ou presta serviços pela internet. Ao contrário do papel que ocupou no passado, esse tema não mais se restringe às grandes empresas ou ao mercado financeiro.

E isso reflete na tela dos celulares de todo mundo: notificações de Pix, mensagens de clientes, plataformas de trabalho, aplicativos de bancos digitais e até plataformas de investimento para acompanhar cotações de criptoativos, como o ethereum hoje, disputam espaço no mesmo aparelho.

Para se ter uma ideia, em 2024, o Brasil tinha cerca de 26 milhões de trabalhadores por conta própria, um crescimento de quase 30% em relação a 2012, segundo a Pnad Contínua do IBGE. Ao mesmo tempo, mais de 32 milhões de pessoas estavam em situação de trabalho informal ou sem carteira em 2025, o equivalente a quase um terço dos trabalhadores do país.

Ou seja: a combinação entre trabalho por conta própria, informalidade e economia digital não é exceção. A questão é entender como usar essa infraestrutura a favor de autônomos e MEIs, e como até ativos digitais, como criptomoedas, podem entrar como complemento nesse cenário.

Quem são os protagonistas da economia digital

Para melhor compreender o impacto da economia digital, primeiro é preciso olhar para o perfil de quem está na linha de frente dessa transformação. De um lado, estão os trabalhadores informais: pessoas que prestam serviços, vendem produtos ou trabalham sem carteira assinada, muitas vezes sem CNPJ.

Do outro, os autônomos formalizados como MEI, que emitem nota, têm CNPJ ativo e utilizam canais digitais para organizar o negócio. Entre eles, cresce um grupo específico: quem trabalha por plataformas e aplicativos: motoristas, entregadores, profissionais de serviços gerais e freelancers digitais.

Relatórios recentes mostram como esse universo vem ganhando peso. Em 2024, o país registrava cerca de 1,7 milhão de pessoas trabalhando por meio de plataformas digitais, um aumento de 25,4% em relação a 2022, segundo o IBGE. Paralelamente, o Brasil segue batendo recordes de formalização: apenas no primeiro trimestre de 2025, foram abertos 1,4 milhão de novos CNPJs, sendo 78% deles MEI, segundo levantamento do Sebrae com dados da Receita Federal.

Esse retrato deixa claro que o celular é, hoje, o principal “ponto comercial” dessas pessoas: é por ele que chegam os pedidos, os pagamentos, as avaliações e, muitas vezes, as primeiras oportunidades de organizar melhor a vida financeira.

A nova infraestrutura do trabalho informal

Com esse cenário em mente, faz sentido observar como a infraestrutura financeira se transformou na mesma velocidade.

O Pix é o melhor exemplo dessa mudança. Em 2024, cerca de 63% dos brasileiros utilizaram o Pix ao menos uma vez por mês, segundo estudo divulgado pela Agência Brasil com base em dados do Banco Central e da FGV.

Além da popularidade, há o impacto na inclusão financeira: até o fim de 2022, o sistema já havia contribuído para incluir mais de 70 milhões de pessoas no sistema financeiro, de acordo com apresentação do próprio Banco Central em fórum do G20.

Na prática, isso significa que autônomos e MEIs passaram a receber por Pix em segundos, 24 horas por dia, sem depender de maquininhas ou de dinheiro vivo. Para quem vende serviço ou produto com ticket médio baixo, isso reduz custo, agiliza fluxo de caixa e diminui o risco de calote.

Além do Pix, contas digitais e fintechs se tornaram aliadas importantes. Elas oferecem abertura de conta simplificada, cartões virtuais, extratos detalhados e ferramentas para separar, ainda que de forma básica, finanças pessoais e do negócio. Para o MEI, é cada vez mais comum ter uma conta dedicada ao CNPJ, o que facilita emitir boletos, organizar recebimentos e prestar contas ao fisco.

Essa combinação de Pix, contas digitais, plataformas de trabalho e aplicativos de gestão forma hoje a “espinha dorsal” da economia digital para quem trabalha por conta própria, mesmo nos segmentos mais simples.

Como a economia digital muda a gestão da renda variável

Entender a infraestrutura é importante, mas o ponto sensível para quem é autônomo ou MEI continua sendo o mesmo: renda variável ao longo do mês.

Em um emprego tradicional, o salário cai na conta em data fixa, o que facilita planejar despesas. Já quem depende de corrida, entrega, diária, contrato de freelancer ou serviço por hora lida com entradas irregulares. Há semanas fortes, outras fracas; meses em que sobra dinheiro, e outros em que falta.

A economia digital não elimina essa volatilidade, mas oferece ferramentas para lidar com ela de forma mais consciente. Aplicativos de banco e de finanças pessoais permitem acompanhar, com mais clareza, quanto entrou por dia, por semana ou por tipo de serviço. Isso ajuda a calcular uma média de faturamento, identificar sazonalidades e estimar quanto é possível reservar, em vez de apenas “sobreviver até o fim do mês”.

Outra mudança relevante é a facilidade de acessar produtos financeiros básicos, como aplicações de liquidez diária, que permitem “estacionar” temporariamente o dinheiro entre um pagamento e outro. Com poucos cliques, o autônomo pode fazer o dinheiro render, ainda que de forma modesta, em vez de deixar tudo parado na conta corrente.

Aos poucos, essa lógica afasta o trabalhador da improvisação permanente e o aproxima da ideia de gestão de fluxo de caixa, conceito comum em empresas, mas que agora começa a entrar na rotina de quem trabalha sozinho ou com um pequeno negócio.

Recebendo e guardando valor na economia global


Quando se fala em criptoativos, é comum imaginar algo distante da realidade da maioria dos trabalhadores. No entanto, para uma parte dos autônomos, principalmente os freelancers digitais que atendem clientes fora do Brasil, as criptomoedas já fazem parte do dia a dia como alternativa de pagamento.

A lógica é simples: ao prestar serviços para clientes em outros países, o profissional precisa lidar com conversão de moeda, prazos de compensação internacional e taxas de transferência. Nesse contexto, receber em ativos digitais estáveis, atrelados a moedas fortes, pode ser uma forma de reduzir fricções e dar mais previsibilidade ao valor recebido em dólar ou euro.

Pesquisas internacionais apontam que freelancers de países emergentes estão entre os que mais utilizam criptomoedas para receber pagamentos, justamente pela combinação de agilidade nas transações e custos potencialmente menores em relação a transferências bancárias tradicionais.

Do ponto de vista financeiro, o papel das criptomoedas nesse cenário pode ser resumido em duas funções complementares:

Meio de recebimento internacional: permitir que o pagamento chegue mais rápido e com menos intermediários, especialmente quando o cliente está em outro país.

Reserva de valor parcial e diversificada: para quem já possui uma base de organização financeira em moeda local, destinar uma pequena fração da renda a ativos digitais pode ser uma forma de se expor à economia global e às inovações da tecnologia blockchain.

É importante reforçar que isso não substitui a necessidade de ter reserva de emergência em reais, de pagar impostos corretamente e de planejar o fluxo de caixa do negócio. Cripto entra como camada extra, não como atalho milagroso. O uso responsável passa por estudar o básico, entender riscos, cuidar de segurança digital e, quando necessário, buscar orientação especializada.

Passos para o autônomo e o MEI aproveitarem a economia digital


Entender o cenário é um bom começo, mas o impacto real aparece quando essas ideias se transformam em decisões concretas no dia a dia. Para isso, vale pensar em alguns passos práticos.

Antes de listar essas ações, é útil lembrar que não é preciso fazer tudo de uma vez. A economia digital permite testar, ajustar e evoluir aos poucos, conforme a realidade de cada profissional.

Formalizar o negócio, quando fizer sentido


Avaliar a possibilidade de se registrar como MEI é um passo importante para quem presta serviços com frequência. A formalização facilita emitir notas, acessar linhas de crédito específicas e contribuir para a Previdência Social. Levantamentos do Sebrae mostram que os MEIs são hoje a maior parte das novas empresas abertas no país, reforçando o papel desse regime na economia.

Centralizar recebimentos e organizar o fluxo de caixa


Concentrar pagamentos em poucos canais digitais confiáveis, usar o Pix de forma estratégica e separar, quando possível, uma conta para o CNPJ ajuda a enxergar melhor quanto entra e quanto sai do negócio. A partir daí, fica mais fácil definir metas de faturamento semanal, reservar uma parte para impostos e outra para investimentos de curto prazo.

Começar simples nos investimentos e evoluir com conhecimento


Antes de pensar em qualquer ativo mais sofisticado, faz sentido criar uma reserva de emergência em produtos conservadores e de fácil resgate. Só depois disso é que a exposição a renda variável e ativos digitais deve entrar no radar, sempre em percentual compatível com o perfil de risco e com o grau de informação de cada um.

Estudar antes de receber em ativos digitais


Para quem atende clientes no exterior e considera receber em criptomoedas ou stablecoins, o primeiro passo é aprender sobre carteiras digitais, segurança (senhas, autenticação, chaves) e formas de converter esses ativos em moeda local. A informação é o principal antídoto contra golpes e promessas irreais.

Economia digital como aliada da estabilidade financeira


A economia digital mudou profundamente a vida de autônomos, MEIs e trabalhadores de aplicativo no Brasil. O celular deixou de ser apenas um meio de contato com clientes para se tornar um hub financeiro, por onde passam corridas, entregas, transferências instantâneas e, cada vez mais, oportunidades de investimento e recebimento internacional.

Quando bem utilizadas, essas ferramentas ajudam a transformar uma renda irregular em um projeto financeiro mais previsível, com espaço para reserva de emergência, planejamento de longo prazo e até uma pequena exposição à nova economia digital por meio de criptoativos.

No fim das contas, a tecnologia não resolve tudo sozinha, mas amplia o leque de escolhas. Cabe ao trabalhador informal e ao MEI decidir como usar essa infraestrutura – se apenas para “apagar incêndios” mês a mês, ou como base para construir estabilidade e crescimento em um mercado de trabalho cada vez mais conectado e dinâmico.


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