Banco Master

PF faz buscas em endereços de Daniel Vorcaro e parentes

Operação Compliance Zero apura suposto esquema de fraudes financeiras
Por Redação 14/01/2026 - 07:37
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Reprodução
Daniel Vorcaro, do Banco Master
Daniel Vorcaro, do Banco Master

A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira, 14, a segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. A ação inclui o cumprimento de mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Daniel Vorcaro, dono da instituição, e a familiares dele, como o pai, a irmã e o cunhado, em São Paulo. O investidor e empresário Nelson Tanure também é alvo da operação.

Ao todo, estão sendo cumpridos 42 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), além de medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões. As diligências ocorrem em São Paulo — incluindo endereços na Avenida Faria Lima — e também nos estados da Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.

De acordo com a investigação, o esquema envolvia a captação de recursos, aplicação em fundos e o desvio de valores para o patrimônio pessoal de Vorcaro e de parentes. Durante a operação desta quarta-feira, o cunhado do empresário, Fabiano Campos Zettel, chegou a ser detido no aeroporto quando embarcaria para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, mas foi liberado em seguida. A detenção ocorreu apenas para viabilizar o cumprimento das medidas judiciais.

Nelson Tanure não foi encontrado em sua residência no Rio de Janeiro, mas acabou localizado no Aeroporto do Galeão, quando embarcaria em um voo nacional. O celular do empresário foi apreendido pelos agentes.

Primeira fase e liquidação do banco

A primeira fase da Operação Compliance Zero ocorreu em novembro do ano passado e resultou em sete prisões, entre elas a de Daniel Vorcaro. O dono do Banco Master foi detido no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, sob suspeita de tentar deixar o país em um avião particular com destino à Europa. Dias depois, ele foi solto por decisão judicial.

Na mesma época, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, após concluir que a instituição não tinha condições de honrar seus compromissos financeiros. A PF apura a venda de títulos de crédito falsos, com a emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) que prometiam rendimentos de até 40% acima da taxa básica do mercado — retorno considerado irreal pelas autoridades. A estimativa é de que as fraudes possam chegar a R$ 12 bilhões.

A decretação da liquidação do banco também se tornou alvo de controvérsia. O Tribunal de Contas da União (TCU), por meio do ministro Jonathan de Jesus, questionou o Banco Central sobre possíveis indícios de uma liquidação considerada “precipitada”. O processo tramita sob sigilo.


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