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Maceió poderá ter de cobrir prejuízos após liquidação do Banco Master

Informações publicadas pela Folha de S.Paulo indicam supostas perdas em investimentos
Ascom Iprev
Sede do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió
Sede do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió

Estados e municípios poderão ser obrigados a cobrir eventuais prejuízos em seus fundos próprios de previdência após a liquidação do Banco Master, decretada pelo Banco Central em novembro de 2025. A conclusão consta em documento do Ministério da Previdência Social e foi divulgada pela Folha de S.Paulo, que revelou os impactos potenciais dos investimentos realizados por regimes previdenciários em títulos emitidos pela instituição financeira.

De acordo com a apuração publicada pelo jornal, o entendimento do governo federal é de que, caso os recursos acumulados pelos fundos se tornem insuficientes para garantir o pagamento de aposentadorias e pensões, a responsabilidade financeira recairá sobre os Tesouros dos respectivos estados e municípios. A análise foi apresentada em resposta a questionamentos da deputada federal Laura Carneiro (PSD-RJ) sobre a situação do Rioprevidência, fundo de previdência dos servidores do Estado do Rio de Janeiro.

Segundo dados do Ministério da Previdência, também divulgados pela Folha de S.Paulo, ao menos R$ 1,8 bilhão de recursos de fundos previdenciários estaduais e municipais foram aplicados em Letras Financeiras do Banco Master. Entre os maiores investidores estão o Rioprevidência, com aproximadamente R$ 970 milhões, a Amprev, do Amapá, com cerca de R$ 400 milhões, e o Instituto de Previdência de Maceió (Iprev), com investimentos em torno de R$ 97 milhões. Há ainda aplicações relevantes de institutos de municípios de médio e pequeno porte, como São Roque, no interior de São Paulo.

As Letras Financeiras, diferentemente de produtos como os Certificados de Depósito Bancário (CDBs), não contam com a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Por essa razão, os valores investidos pelos fundos de previdência passam a integrar o passivo do Banco Master durante o processo de liquidação, o que torna incerta a recuperação integral dos recursos aplicados.

O Ministério da Previdência destacou, conforme noticiado pela Folha de S.Paulo, que a Lei nº 9.717/1998 estabelece que União, estados, Distrito Federal e municípios são responsáveis por cobrir eventuais insuficiências financeiras de seus regimes próprios de previdência. Embora o governo avalie que não há necessidade imediata de aportes em razão do caso Master, a legislação impõe essa obrigação caso haja falta de recursos no futuro.

A pasta também afirmou que não possui competência legal para intervir diretamente na gestão dos fundos ou aplicar sanções pessoais a gestores locais, limitando-se à fiscalização do cumprimento das normas gerais. A principal penalidade administrativa prevista é a suspensão do Certificado de Regularidade Previdenciária (CRP), documento exigido para o recebimento de transferências voluntárias da União e para a contratação de operações de crédito com aval federal.

Auditorias realizadas em 2024 já haviam identificado aumento da exposição de regimes previdenciários a ativos considerados de maior risco. Conforme revelou a Folha de S.Paulo, 29 entes federativos foram selecionados para fiscalização, sendo que 17 deles possuíam investimentos diretos no Banco Master. Atualmente, o Estado do Rio de Janeiro encontra-se sem CRP válido, em razão do descumprimento de limites legais para aplicações financeiras do regime previdenciário.

Em manifestações anteriores, alguns institutos de previdência informaram que o pagamento dos benefícios está assegurado e que os investimentos no Banco Master representavam parcela minoritária de seus patrimônios, além de terem sido realizados quando a instituição estava regularmente autorizada a operar pelo Banco Central. Após o episódio, o Conselho Monetário Nacional aprovou novas regras que endurecem as exigências para investimentos dos regimes próprios de previdência, com critérios mais rigorosos de solidez financeira e gestão de riscos.

Nota da Prefeitura de Maceió

Sobre a reportagem “Cofres públicos terão que cobrir rombo de fundos de previdência com o Master”, publicada na sexta-feira, 9, pela “Folha de S.Paulo”, o Maceió Previdência informa que os pagamentos a aposentados e pensionistas estão absolutamente garantidos em virtude do sólido patrimônio do fundo de pensão (mais de R$ 1,4 bilhão), o que dispensará a municipalidade de aportar qualquer recurso para assegurar tais pagamentos. É importante ressaltar que nos últimos cinco anos, a partir da atual gestão municipal, o patrimônio do fundo registrou crescimento superior a 350%. O Maceió Previdência informa, ainda, que adota providências para recuperar o valor investido em papéis do Banco Master. Para isso conta com um grupo de trabalho técnico dedicado a avaliar cenários e tomar as decisões necessárias relativas ao tema.


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