EDUCAÇÃO
Documentos indicam mudança na correção da redação do Enem 2025, aponta site
Relatos de candidatos e corretores reforçam suspeitas sobre queda nas notas
Documentos sigilosos revelam que a correção da redação do Enem 2025 seguiu regras diferentes das adotadas em anos anteriores. Apesar de as competências avaliadas terem sido mantidas, novas especificações impactaram diretamente as notas dos candidatos. As informações foram divulgadas nesta quinta-feira, 5, pelo g1.
Desde a divulgação dos resultados, no dia 16 de janeiro, centenas de estudantes relataram quedas inesperadas no desempenho. De acordo com o g1, documentos oficiais, e-mails e depoimentos de corretores revelam ao menos três mudanças relevantes na correção em 2025.
A reportagem aponta que as mudanças ganham maior relevância porque, em 2026, o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) passou a considerar notas de três edições do Enem: 2023, 2024 e 2025. Para especialistas, isso prejudica quem fez apenas a última prova.
Critérios mais subjetivos
A primeira alteração ocorreu na competência 4, que avalia o uso de elementos coesivos. Antes, a pontuação era definida de forma mais objetiva, com contagem desses termos. Em 2025, passou a ser baseada em classificações como “pontual”, “regular” ou “expressiva”.
“A gente perdeu parâmetro. Cada um levou em conta uma orientação”, relatou um corretor.
Punição maior na proposta de intervenção
Outra mudança envolveu a competência 5, relacionada à proposta de intervenção. Embora a ausência de qualquer um dos cinco elementos sempre gerasse perda de pontos, em 2025 houve uma punição maior para quem não apresentasse o item “ação”.
Repertório sociocultural com peso ampliado
Segundo o g1, também houve ampliação do peso dado ao repertório sociocultural. Um documento enviado aos avaliadores determinou que referências consideradas fracas fossem punidas em duas competências, e não apenas em uma, como ocorria anteriormente.
Para os corretores ouvidos, essa mudança foi determinante para a queda generalizada nas notas.
Inep nega alterações
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) negou qualquer modificação nos critérios. Ao g1, o presidente do órgão, Manuel Palacios, afirmou: “Não houve nenhuma mudança no critério de correção”.
Em nota, o Inep destacou que as redações passam por ao menos dois avaliadores, com possibilidade de uma terceira correção em caso de divergência.
Condições de trabalho dos corretores
O g1 revelou ainda que os corretores recebem, em média, cerca de R$ 3 por redação corrigida e podem avaliar até 200 textos por dia. Eles relatam dificuldades técnicas e falhas na comunicação durante o treinamento.
O Inep não respondeu aos questionamentos sobre remuneração e sobrecarga de trabalho. Segundo o Cebraspe, responsável pela correção desde 2023, apenas o instituto pode se pronunciar sobre o exame.



