investigação

PF encontra planilhas de emendas em endereço ligado a ex-assessora de Lira

Documentos apreendidos durante operação indicam possível controle do orçamento secreto
Por Redação 30/01/2026 - 13:25
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Assessoria
O deputado federal Arthur Lira
O deputado federal Arthur Lira

A Polícia Federal apreendeu dezenas de planilhas com informações sobre emendas parlamentares durante a Operação Transparência, deflagrada em dezembro de 2025. O material foi encontrado em um endereço ligado à advogada Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, que atuou como ex-assessora e braço-direito do deputado federal Arthur Lira (PP-AL) no período em que ele presidiu a Câmara dos Deputados.

De acordo com a investigação, as planilhas contêm dados que podem estar relacionados à organização e distribuição de emendas de relator, mecanismo que ficou conhecido como orçamento secreto. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos tanto na residência da advogada quanto em seu antigo gabinete na Presidência da Câmara, por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino.

Além de documentos físicos, os agentes localizaram um computador antigo que armazenava grande parte dos arquivos, atualmente sob análise da Polícia Federal. A principal linha de apuração busca identificar se os registros detalham a divisão das emendas entre parlamentares e se revelam a lógica de destinação dos recursos durante o período em que Arthur Lira comandava a Câmara, entre 2021 e 2022.

Segundo o UOL, no pedido que embasou as buscas, a Polícia Federal apontou indícios de uma atuação prolongada na organização desses recursos, com origem ainda durante a pandemia da Covid-19. Segundo os investigadores, Mariângela Fialek teria exercido papel estratégico no controle e na sistematização das emendas de relator, especialmente na fase inicial do modelo.

O orçamento secreto foi declarado inconstitucional pelo STF em 2022, após ter movimentado cerca de R$ 45 bilhões entre 2020 e 2022, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Desse total, aproximadamente R$ 20 bilhões teriam sido executados sem transparência, sem a identificação dos parlamentares responsáveis pelas indicações, o que dificultou a fiscalização por órgãos de controle e alimentou suspeitas de irregularidades.

A Operação Transparência também apura se Mariângela Fialek teria continuado a atuar na gestão de recursos semelhantes ao orçamento secreto após a proibição das emendas de relator, agora por meio das chamadas emendas de comissão, consideradas por investigadores uma nova forma de distribuição com baixo nível de publicidade. Nesse contexto, são analisados fatos ocorridos durante a presidência da Câmara sob comando do deputado Hugo Motta (Republicanos-PB).

As investigações tiveram início a partir de depoimentos de parlamentares como Cleitinho (Republicanos-MG), Adriana Ventura (Novo-SP), Glauber Braga (PSOL-RJ), José Rocha (União Brasil-BA), Fernando Marangoni (União Brasil-SP) e Dr. Francisco (PT-PI), que relataram suspeitas envolvendo o uso de emendas de comissão.

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