ECONOMIA
Preço do combustível vai subir? Entenda impacto da guerra no Irã no Brasil
Alta do barril após tensão global pressiona energia e transporte
A guerra entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio provocou forte alta no preço do petróleo no mercado internacional e levantou dúvidas sobre possíveis aumentos nos combustíveis no Brasil. Desde o início do conflito, o barril ultrapassou os US$ 100, atingindo o maior nível desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, em 2022.
Especialistas avaliam que, apesar da alta internacional, os preços da gasolina e do diesel no Brasil ainda tiveram apenas pequenas variações.
Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis indicam que o preço médio da gasolina passou de R$ 6,28 para R$ 6,30 entre a última semana de fevereiro e sábado, 7. No mesmo período, o diesel subiu de R$ 6,03 para R$ 6,08.
Por que o aumento não é imediato
Especialistas explicam que a alta do petróleo poderia provocar aumentos mais expressivos nos combustíveis, mas os reajustes não costumam acontecer de forma imediata no Brasil.
Isso ocorre porque a política atual de preços da Petrobras, adotada desde 2023, deixou de seguir automaticamente as oscilações do mercado internacional. O modelo considera fatores como custos de produção, condições do mercado interno e variações externas.
Com esse sistema, a empresa pode absorver parte das oscilações do petróleo no curto prazo e evitar reajustes bruscos para o consumidor.
Especialistas apontam que essa estratégia também reduziu a frequência de mudanças nos preços nas refinarias.
Como o petróleo afeta o combustível
O petróleo é a principal matéria-prima utilizada na produção de gasolina e diesel. Como a commodity é negociada globalmente em dólar, aumentos no valor do barril ou da moeda americana tendem a elevar os custos.
Mesmo assim, o preço pago pelo consumidor envolve outros fatores além da Petrobras.
No caso da gasolina, cerca de 28,7% do valor final corresponde à parcela da estatal. Considerando o preço médio nacional recente de R$ 6,30 por litro, isso representa aproximadamente R$ 1,81.
O restante do valor inclui impostos federais e estaduais, mistura obrigatória de etanol e custos de transporte, distribuição e comercialização.
No diesel, a participação da Petrobras é maior, chegando a 46% do preço final. Em um valor médio de R$ 6,08 por litro, isso equivale a cerca de R$ 2,80, enquanto o restante envolve impostos, biodiesel e custos logísticos.
Pressão pode aumentar
Especialistas alertam que a capacidade de segurar os preços tem limites. Caso o petróleo permaneça elevado por um período prolongado, a Petrobras pode precisar reajustar os combustíveis para recuperar margens.
Outro fator que pode pressionar os preços é a dependência brasileira de importações, principalmente de diesel. Se os valores no Brasil ficarem muito abaixo do mercado internacional, importadores podem reduzir o envio do produto ao país, diminuindo a oferta.
Especialistas também destacam que conflitos em regiões produtoras costumam provocar forte volatilidade no mercado de energia. O risco de interrupções na produção ou no transporte tende a aumentar a insegurança global e elevar os preços.
Com combustíveis mais caros, o impacto pode se espalhar por diversos setores da economia, principalmente transporte e logística. O aumento do diesel, por exemplo, pode encarecer o frete e elevar o custo de produtos e serviços.
Especialistas avaliam que a Petrobras deve continuar acompanhando o cenário internacional e pode esperar uma estabilização do mercado antes de decidir sobre eventuais reajustes. Caso os preços do petróleo permaneçam elevados, aumentos nos combustíveis podem ocorrer nos próximos dias.



