BRASIL
PM aposenta coronel preso por suspeita de matar esposa em São Paulo
Oficial investigado por feminicídio seguirá recebendo remuneração
A Polícia Militar do Estado de São Paulo publicou, nesta quinta-feira, 2, uma portaria que coloca na reserva o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso sob suspeita de matar a própria esposa, a policial militar Gisele Alves Santana.
De acordo com a corporação, o pedido de aposentadoria foi feito pelo próprio oficial e concedido conforme previsão legal. A Polícia Militar informou, no entanto, que a medida não impede o andamento do processo administrativo que pode resultar na demissão do tenente-coronel e na perda do posto e da patente.
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo afirmou que foi instaurado um conselho de justificação para avaliar a conduta do policial. O procedimento continuará mesmo após a transferência dele para a reserva.
Prisão e investigação
Geraldo Neto foi preso preventivamente em terça-feira, 18 de março, após decisão da Justiça Militar. Ele é acusado de matar a esposa dentro do apartamento onde o casal morava no bairro Brás, na região central da capital paulista.
Inicialmente, o oficial afirmou que a esposa havia cometido suicídio. No entanto, investigações conduzidas pela Polícia Civil de São Paulo, com base em laudos periciais e reprodução simulada da cena do crime, apontaram indícios de feminicídio.
Segundo o Ministério Público, as provas indicam que o tenente-coronel teria segurado a cabeça da vítima e disparado contra ela. A acusação também sustenta que ele tentou alterar a cena do crime para simular suicídio, o que fundamenta a suspeita de fraude processual.
Mensagens e suspeitas
Durante a investigação, a polícia também analisou o celular da vítima e identificou que o aparelho foi desbloqueado minutos após o disparo. Segundo os investigadores, mensagens trocadas entre o casal no dia anterior à morte teriam sido apagadas.
Os diálogos recuperados indicam discussões sobre separação e divórcio. Para a polícia, a exclusão das conversas teria sido uma tentativa de sustentar a versão apresentada inicialmente pelo tenente-coronel.
O oficial segue preso no Presídio Militar Romão Gomes, enquanto responde ao processo. Como o feminicídio é considerado crime doloso contra a vida, a tendência é que o caso seja julgado pela Justiça comum, possivelmente pelo Tribunal do Júri.
A defesa do tenente-coronel nega o crime e afirma que ele colaborou com as investigações.



