Saúde
Supergripe já provocou duas mortes este ano em Alagoas; vacina é a proteção
Fiocruz aponta que mortes por Influenza A cresceram 36,9% em quatro semanas no país
Alagoas registra dois óbitos por Influenza A, segundo dados da Fiocruz, entre 4 de janeiro de 2026 e 28 de março. No país foram 187 óbitos de SRAG confirmados pelo vírus no período. Do total de mortes, o estado do Ceará registrou o maior número, 38; seguido por São Paulo, com 25, e Mato Grosso do Sul, com 14. Não há informações públicas no Boletim InfoGripe sobre as vítimas fatais em Alagoas em relação à localidade, idade e sexo.
O país registra avanço de casos de Influenza A, com aumento de 36,9% das mortes em quatro semanas, conforme dados do boletim. Apesar do subclado K do vírus Influenza A (H3N2), chamada de “supergripe”, estar em circulação no país e ser mais transmissível, a pesquisadora do Boletim InfoGripe, Tatiana Portella, afirma que a cepa não causa mais óbitos ou casos graves em relação aos outros vírus da gripe.
“O vírus da Influenza A do subclado K, que está circulando agora no Brasil, já circulou no Hemisfério Norte. O que sabemos desse vírus é que é mais transmissível, então causa mais casos de gripe, mas não é mais virulento. Ele não causa mais casos graves ou óbitos em relação aos outros vírus da influenza. O vírus da influenza está sempre sofrendo mutações, por isso que a vacina contra o vírus é atualizada todo ano para proteger contra as subvariantes que mais circulam nos hemisférios Norte e Sul”, destaca Tatiana Portella.
A pesquisadora da Fiocruz garante que a principal forma de prevenção é a vacinação e que o atual imunizante aplicado no Brasil protege contra a “supergripe”. "A vacina da influenza atual aqui do Brasil é a vacina mais atualizada e protege contra o subclado K e também contra outros tipos de vírus da influenza que tem circulado aqui no Hemisfério Sul”, completa Portella.
O Boletim aponta que a maioria dos estados das regiões Norte, Centro-Oeste, Nordeste e Sudeste apresenta níveis de atividade de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), classificados como alerta, risco ou alto risco, com tendência de crescimento.
Confira o ranking com o total de óbitos por Influenza A no Brasil (de 04/01/2026 até 28/03/2026):
AC : 2
AL : 2
AM : 11
AP : 0
BA : 4
CE : 38
DF : 1
ES : 4
GO : 2
MA : 5
MG : 13
MS : 14
MT : 3
PA : 13
PB : 4
PE : 3
PI : 3
PR : 8
RJ : 6
RN : 5
RO : 3
RR : 0
RS : 4
SC : 11
SE : 3
SP : 25
TO : 0
Supergripe
O novo subclado K do vírus influenza A (H3N2) é monitorado por autoridades de saúde internacionais e tem sido chamado de ‘supergripe’. O médico infectologista Diogo Borges, que atua no hospital Anchieta, em Ceilândia (DF), menciona que “supergripe é um termo criado pela população. Apenas estamos tendo várias infecções pela influenza concomitantes. Influenza A é um vírus com várias mutações”, diz Borges.
A cepa foi identificada pela primeira vez no Brasil em dezembro por pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). A amostra foi coletada em Belém (PA) de uma paciente do sexo feminino, adulta e estrangeira, oriunda das ilhas Fiji. Conforme o IOC/Fiocruz, o caso foi classificado como importado.
Diogo Borges explica que a alta de casos de gripe está associada à sazonalidade da época do ano, com aumento dos casos de infecções das vias aéreas. Ele ressalta, ainda, que entre os principais sintomas da nova cepa está a febre alta.
“Essa febre alta é diferente porque começa no início do contágio e perdura ali por três, cinco dias, podendo perdurar até sete dias em alguns casos de pacientes mais imunossuprimidos. Inflamação da garganta, tosse, calafrios, calafrios acompanhados de febre, dores articulares e dor de cabeça, vômitos persistentes, náuseas persistentes, perda de apetite e desidratação. O paciente com influenza A desidrata mais rápido que os demais”, elucida.



