Economia

Tok&Stok pede recuperação judicial por dívida de R$ 1,1 bilhão

Grupo aponta dificuldades do setor de móveis e decoração, como juros altos, para adoção da medida
Por Redação 12/05/2026 - 16:20
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Divulgação
Segundo o processo, a dívida total da companhia é de cerca de R$ 1,1 bilhão.
Segundo o processo, a dívida total da companhia é de cerca de R$ 1,1 bilhão.

O Grupo Toky, dono das marcas Tok&Stok e Mobly, informou nesta terça-feira, 12, que entrou com pedido de recuperação judicial para tentar reorganizar suas dívidas e evitar um agravamento da crise financeira. Segundo o processo, a dívida total da companhia é de cerca de R$ 1,1 bilhão. A informação é do G1.

Segundo a empresa, que também tem uma loja num shopping de Maceió, a decisão foi tomada após dificuldades enfrentadas pelo setor de móveis e decoração, como juros altos, aumento do endividamento das famílias e crédito mais restrito. A companhia afirmou que esse cenário reduziu as vendas e afetou o caixa do grupo.

O Grupo Toky também disse que vinha negociando a reestruturação das dívidas da Tok&Stok com credores, mas que o endividamento continuou crescendo, apesar dos esforços empregados pela administração. A decisão foi comunicada à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A recuperação judicial é um processo em que uma empresa com dificuldades financeiras pede proteção à Justiça para renegociar dívidas e evitar a falência, enquanto continua funcionando. O grupo afirmou que o objetivo do pedido é preservar as operações, manter os serviços e criar condições para renegociar as obrigações financeiras. O processo foi protocolado na Justiça de São Paulo e está sob segredo de justiça.

'Risco de dano irreparável'

No pedido de recuperação judicial protocolado na Justiça de São Paulo, o Grupo Toky solicitou medidas urgentes para evitar o colapso das operações e garantir a continuidade das atividades, citando "risco de dano irreparável" nas operações da companhia.

Um dos principais pedidos da empresa é a liberação imediata de cerca de R$ 77 milhões em valores de vendas feitas no cartão de crédito que estão retidos pela SRM Bank. O bloqueio desses valores afetou o caixa da empresa e colocou em risco pagamentos básicos, como salários de mais de 2 mil funcionários.

A companhia também pediu à Justiça a suspensão, por 180 dias, de cobranças e ações por dívidas enquanto tenta renegociar os débitos com credores (o chamado “stay period”). Outro ponto do pedido é a manutenção de contratos e serviços considerados essenciais para o funcionamento da empresa. O grupo quer impedir interrupções em operações de logística, transporte, sistemas digitais, computação em nuvem, energia elétrica e abastecimento de água.

Em 2023, a Tok&Stok tentou reorganizar as finanças com a renegociação de cerca de R$ 339 milhões em dívidas bancárias, um acordo de reestruturação tecnológica com a Domus Aurea e um aporte de R$ 100 milhões feito pelos acionistas. Apesar disso, a recuperação não avançou como esperado. Desde então, o grupo passou a buscar novas formas de reestruturação financeira, incluindo recuperação extrajudicial e, agora, recuperação judicial.



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