Pesquisa Quaest
Seis em cada 10 brasileiros não reagem ao ver criança sendo agredida
Levantamento aponta que maioria evita intervir por considerar a situação um assunto familiar
Mais de seis em cada dez brasileiros afirmam que não reagiriam ao presenciar uma criança sendo vítima de agressão em público. É o que revela a segunda edição da pesquisa Atitudes e percepções sobre a infância e violência contra crianças e adolescentes, realizada pela Quaest, a pedido do Instituto Infinits.
Segundo o levantamento, 62% dos entrevistados não interviriam diante da situação. Desse total, 32% afirmaram que "cada um sabe da própria vida", enquanto 30% disseram que gostariam de agir, mas ficariam constrangidos em abordar o responsável.
Apenas 21% disseram que conversariam diretamente com o adulto para pedir que interrompesse a agressão, e 15% afirmaram que chamariam a atenção das pessoas ao redor ou acionariam a polícia.
A pesquisa ouviu 2.202 brasileiros com 18 anos ou mais entre os dias 29 de maio e 7 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
O estudo também aponta que 74% dos brasileiros acreditam que a violência contra crianças e adolescentes aumentou nos últimos anos. Apesar disso, práticas consideradas violência pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) ainda são vistas como aceitáveis por parte da população.
Segundo a pesquisa, 56% consideram aceitável bater nos filhos em determinadas situações. Além disso, 47% avaliam o castigo como uma prática ideal de educação, 37% consideram aceitável gritar com crianças e 35% afirmam que ameaçar bater também é tolerável.
Para o cientista político Felipe Nunes, sócio-fundador da Quaest, os dados revelam um ciclo de reprodução da violência. Segundo ele, adultos que sofreram punições na infância tendem a considerar esse tipo de comportamento como uma forma legítima de educar.
Trabalho infantil
O levantamento também abordou a percepção dos brasileiros sobre o trabalho infantil. Para 76% dos entrevistados, crianças não devem trabalhar apenas porque os pais desejam. No entanto, 61% consideram aceitável o trabalho infantil quando a justificativa é evitar que a criança permaneça nas ruas.
No caso dos adolescentes, a aceitação é ainda maior. A pesquisa mostra que 71% acreditam ser aceitável que adolescentes trabalhem por decisão dos pais, enquanto 93% aprovam o trabalho entre 12 e 17 anos quando o objetivo é evitar a ociosidade.
Segundo dados do IBGE, o Brasil possui cerca de 1,6 milhão de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil.
Como denunciar
O Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece que proteger crianças e adolescentes é dever da família, da sociedade e do poder público. Casos de violência física, psicológica, sexual, negligência, abandono, exploração ou trabalho infantil podem ser denunciados ao Conselho Tutelar, pelo Disque 100 ou, em situações de emergência, à Polícia Militar pelo telefone 190.



