Mais de R$ 500 mil

Caminhão abandonado escondia canetas emagrecedoras em meio a agrotóxicos

Veículo abandonado na Ponte da Amizade transportava medicamentos, agrotóxicos, cigarros eletrônicos
Receita Federal
Ampolas de medicamentos emagrecedores paraguaios foram encontradas em meio a carga de contrabando num caminhão abandonado
Ampolas de medicamentos emagrecedores paraguaios foram encontradas em meio a carga de contrabando num caminhão abandonado

Um caminhão com placas do Paraguai, abandonado na Ponte da Amizade, entre o Brasil e o Paraguai, foi apreendido pela Receita Federal nesta terça-feira, 14, transportando uma carga ilegal avaliada em cerca de R$ 500 mil. Entre os produtos encontrados estavam centenas de canetas emagrecedoras escondidas em um fundo falso, junto com agrotóxicos, cigarros eletrônicos, smartphones e peças automotivas.

Segundo a Receita Federal, o motorista abandonou o veículo antes da abordagem e não foi localizado. Ninguém foi preso.

Durante a fiscalização, os agentes encontraram ampolas de tirzepatida, de marcas como TG e Tirzec, escondidas no teto do caminhão. Também foram apreendidos medicamentos de uso estético, cigarros eletrônicos, celulares, peças de veículos e sacos de agrotóxicos.

Os auditores classificaram como grave a forma de transporte dos medicamentos, já que a tirzepatida exige refrigeração para manter a eficácia. Segundo a Receita, o contato com agrotóxicos e a ausência de armazenamento adequado representam risco à saúde pública.

O caminhão e toda a carga foram encaminhados para a Alfândega da Receita Federal em Foz do Iguaçu (PR).

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe a entrada, comercialização e uso dessas canetas emagrecedoras no Brasil, mesmo quando adquiridas legalmente no Paraguai. Embora autorizados pela autoridade sanitária paraguaia, os produtos não possuem registro para circulação em território brasileiro.

Somente em 2026, mais de 115 mil canetas emagrecedoras já foram apreendidas na região de Foz do Iguaçu. No ano passado, foram confiscadas 7.479 unidades.

O contrabando desses medicamentos tem aumentado devido à diferença de preços entre os dois países. Enquanto o tratamento mensal com Mounjaro pode ultrapassar R$ 3,4 mil no Brasil, versões comercializadas no Paraguai são vendidas por cerca de R$ 430, sem exigência de receita médica.


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