ELEIÇÕES 2026
Tarcísio x Haddad: veja quem errou mais no debate, segundo site
Agência Lupa identificou informações falsas, exageradas e sem contexto nas falas
O primeiro debate entre o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o ex-ministro Fernando Haddad (PT) na disputa pelo governo de São Paulo foi marcado pela apresentação de números e informações sobre educação, segurança, economia e gestão pública. Um levantamento da Agência Lupa, especializada em checagem, encontrou erros, exageros, omissões e falta de contexto nas declarações dos dois candidatos.
Entre as falas classificadas como falsas, Tarcísio errou ao apresentar as posições de São Paulo no Ideb. Segundo a checagem, o estado estava em 4º lugar nos anos iniciais do ensino fundamental em 2023 e caiu para a 7ª posição em 2025. Nos anos finais, também passou da 6ª para a 7ª colocação. Haddad, por sua vez, afirmou que Tarcísio havia prometido isentar do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil, mas a Lupa não encontrou declarações públicas do governador com essa promessa.
Outro dado classificado como falso foi a afirmação de Tarcísio de que Haddad não entregou UPAs durante sua gestão como prefeito de São Paulo. O ex-prefeito inaugurou três unidades: Campo Limpo, Vila Santa Catarina e Itaquera.
Na área de segurança, Tarcísio afirmou que São Paulo possui o menor indicador de criminalidade do Brasil. A declaração foi considerada exagerada, já que o estado tem a menor taxa nacional apenas em homicídio doloso. Em mortes violentas intencionais e latrocínios, por exemplo, São Paulo aparece com a segunda menor taxa.
Haddad também apresentou informações consideradas exageradas. Ao falar sobre a taxa básica de juros, afirmou que Roberto Campos Neto havia deixado a Selic em 14,25% ao fim de sua gestão no Banco Central. Na realidade, a taxa encerrou 2024 em 12,25%, enquanto o maior patamar durante a gestão de Campos Neto foi de 13,75%.
Outras declarações checadas
Tarcísio: disse que os estados já haviam quitado suas dívidas e que Lula vetou o Propag. A Lupa classificou como falta de contexto, porque o presidente sancionou o projeto com vetos parciais, e não integralmente.
Haddad: afirmou que a Operação Carbono Oculto teve a Receita Federal como grande protagonista no combate ao crime organizado. A classificação foi de falta de contexto, já que a operação envolveu também Polícia Federal, Ministério Público e forças de segurança estaduais.
Haddad: disse que a capital paulista responde por 20% dos roubos de celulares do país. A informação foi classificada como falta de contexto, porque o percentual considera roubos e furtos e não apenas roubos.
Tarcísio: afirmou que os municípios de Cajamar, Franco da Rocha e Francisco Morato não tratavam esgoto em 2022. A declaração foi considerada exagerada, pois os três municípios tinham índices de tratamento, embora inferiores a 5%.
Haddad: afirmou que Rubens Ometto foi o maior doador da campanha de Tarcísio em 2022. A declaração foi considerada falsa: Ometto doou R$ 200 mil, enquanto Fabiano Zettel e Otto Medeiros de Azevedo Júnior doaram R$ 2 milhões cada.
Tarcísio: disse que seu governo realizou os dois maiores concursos da Polícia Civil. A Lupa classificou como falta de contexto, pois parte dos concursos havia sido autorizada ou iniciada antes de sua gestão.
Haddad: afirmou que o governo Tarcísio recebeu R$ 13 bilhões em financiamentos do BNDES. A informação foi considerada subestimada, já que os dados do banco apontam R$ 15,2 bilhões.
Tarcísio: afirmou que os feminicídios haviam caído por dois meses consecutivos. Embora maio e junho tenham registrado redução na comparação anual, o estado terminou o primeiro semestre com 141 casos, alta de 10% em relação ao mesmo período anterior. A classificação foi falta de contexto.
A checagem também apontou declarações de Haddad classificadas como exageradas sobre o programa Braços Abertos e sobre as taxas de feminicídio no Ceará e no Rio Grande do Norte. Já a afirmação de que o governo paulista teria abandonado os livros didáticos para usar apenas slides foi considerada falta de contexto, pois a gestão chegou a anunciar a mudança, mas voltou atrás e manteve a adesão ao Programa Nacional do Livro Didático (PNLD).



