Luto na dramaturgia
Morre Glória Menezes, um dos maiores nomes da TV, aos 91 anos
Atriz morreu em casa nesta terça-feira, no Rio de Janeiro
Glória Menezes morreu por causas naturais aos 91 anos nesta terça-feira (18), em sua casa, no Rio de Janeiro, segundo informações divulgadas pela família. Uma das atrizes mais conhecidas da televisão brasileira, ela construiu uma carreira superior a seis décadas e acumulou cerca de 40 trabalhos televisivos. A artista também deixou personagens no teatro e no cinema, com destaque para Rosa, de O Pagador de Promessas (1962). A informaão original é do portal IG.
Nascida Nilcedes Soares Guimarães, em Pelotas, no Rio Grande do Sul, Glória Menezes dedicou parte da juventude ao estudo de piano. Nos anos 1950, ingressou na Escola de Artes Dramáticas, mas abandonou o curso em 1959, um ano antes da conclusão. Ainda naquele período, começou a trabalhar em teleteatros da TV Tupi (1950-1980) e participou de Um Lugar ao Sol (1959), sua primeira novela, exibida pela TV Excelsior (1960-1970).
No ano seguinte, já usando o nome artístico Glória Menezes, ela chegou aos palcos em uma montagem de As Feiticeiras de Salém, de Arthur Miller, assinada por Antunes Filho (1929-2019). O reconhecimento no cinema ganhou força com O Pagador de Promessas, dirigido por Anselmo Duarte (1920-2009). No longa, a atriz interpretou a sofrida Rosa e dividiu a história com Leonardo Villar (1923-2020), responsável pelo personagem central.
O filme venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes e recebeu uma indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Em 1963, Glória Menezes assumiu um papel central em 2-5499 Ocupado (1963), no qual interpretou uma presidiária e contracenou com Tarcísio Meira (1935-2021). A parceria profissional se transformou também em relacionamento. Os atores se casaram em outubro daquele ano e permaneceram juntos durante décadas.
Glória Menezes formou parceria histórica com Tarcísio Meira
Glória e Tarcísio tiveram Tarcísio Filho em 1964, único filho do ator e terceiro da artista. Ela já era mãe de Maria Amélia e João Paulo, nascidos de um casamento anterior. O casal conquistou projeção também pela parceria diante das câmeras e nos palcos. Em 1976, por exemplo, os dois atuaram juntos na comédia Tudo Bem no Ano Que Vem, de Bernard Slade, dirigida por Flávio Rangel (1934-1988).
Na Globo, a dupla dividiu produções como Sangue e Areia (1967), Rosa Rebelde (1969), Espelho Mágico (1977), Guerra dos Sexos (1983), Tarcísio & Glória (1988), Páginas da Vida (2006) e A Favorita (2008). Outro encontro ocorreu em Irmãos Coragem (1970), de Janete Clair (1925-1983). Na novela, Glória interpretou Lara, jovem que apresentava três personalidades diferentes e ganhou destaque dentro de um dos grandes sucessos da emissora.
A atriz também construiu personagens relevantes sem a presença do marido no mesmo elenco. Em Brega & Chique (1987), interpretou uma dona de casa pobre que recebia uma herança milionária. Três anos depois, viveu Laurinha Figueroa em Rainha da Sucata (1990). A antagonista tentava manter as aparências apesar dos problemas financeiros e protagonizou uma cena marcante ao se jogar do alto de um edifício localizado na avenida Paulista.
Antes disso, Glória Menezes havia participado de Corpo a Corpo (1984), novela de Gilberto Braga (1945-2021). A diversidade de seus trabalhos também apareceu em personagens que exigiram mudanças físicas. Em Joia Rara (2013), a artista raspou a cabeça para interpretar uma monja tibetana. A mesma transformação já havia ocorrido no espetáculo Jornada de um Poema (2000), dirigido por Diogo Vilela, no qual interpretou uma professora com câncer.
Entre seus trabalhos mais recentes, esteve Totalmente Demais (2015), escrita por Rosane Svartman e Paulo Halm. Na produção da Globo, a atriz interpretou Stelinha, socialite e mãe de Arthur, personagem de Fabio Assunção. A personagem participava da transformação de Eliza, vivida por Marina Ruy Barbosa. O papel integrou a fase final de uma carreira iniciada nos teleteatros dos anos 1950 e desenvolvida durante mais de seis décadas.



