ENTENDA
Brasil pode ter terremoto de grande magnitude como Venezuela e Peru?
Abalos recentes na América do Sul reacendem dúvidas sobre riscos sísmicos no país
A sequência de terremotos fortes registrados recentemente em países da América do Sul, como Peru, Colômbia e Venezuela, levantou uma dúvida sobre a possibilidade de o Brasil enfrentar um abalo de grande magnitude. Embora o país esteja em uma área de menor atividade sísmica, terremotos também acontecem em território brasileiro e podem, em situações excepcionais, alcançar intensidades elevadas.
A diferença entre as medições dos órgãos internacionais é comum. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) registrou o terremoto com magnitude 6,7 e profundidade estimada em 66,7 quilômetros. O tremor foi sentido em diferentes localidades, incluindo Lima, capital peruana, além de áreas da Bolívia e do Chile.
Por que terremotos são mais frequentes no Peru?
O Peru está localizado no chamado Anel de Fogo do Pacífico, região marcada por intensa atividade tectônica e pela ocorrência frequente de terremotos e vulcões. O país fica próximo a uma área de encontro entre placas tectônicas, o que aumenta a ocorrência de grandes abalos.
O Brasil, por outro lado, está localizado no interior da Placa Sul-Americana. Por estar distante das principais zonas de encontro entre placas, o território brasileiro tende a registrar terremotos menos frequentes e, em geral, de menor intensidade.
Isso não significa, porém, que o Brasil esteja livre de grandes tremores. O país possui falhas geológicas e pode registrar abalos provocados pela movimentação e pelo desgaste da placa tectônica.
Brasil já registrou terremotos fortes
O maior terremoto já registrado no Brasil ocorreu em 1955, na Serra do Tombador, em Mato Grosso. O tremor chegou a magnitude 6,6 e teve epicentro a cerca de 370 quilômetros de Cuiabá. Como a região era pouco habitada, não houve registro de mortes.
Outro evento de grande intensidade ocorreu no Acre, em 2022. O terremoto teve magnitude 6,5 e ocorreu a mais de 100 quilômetros de municípios como Tarauacá e Feijó, próximo à fronteira com o Peru. Apesar da força do abalo, não foram registrados danos significativos nem relatos de que o tremor tenha sido sentido nas cidades próximas.
Segundo estimativas do Serviço Geológico do Brasil, terremotos com magnitude superior a 7,0 podem acontecer no território brasileiro, mas são considerados eventos extremamente raros. A estimativa é de que um abalo dessa intensidade ocorra, em média, uma vez a cada 500 anos.
Tremores recentes também atingiram Colômbia e Venezuela
O terremoto no Peru ocorre após outros eventos de grande intensidade registrados na região. No início de agosto, um tremor de magnitude 7,4 atingiu a Colômbia. O abalo teve epicentro em San José del Palmar, a cerca de 400 quilômetros de Bogotá, e ocorreu a 107 quilômetros de profundidade.
O terremoto chegou a ser sentido em Manaus, a quase 2 mil quilômetros do epicentro. Por precaução, um edifício no centro da capital amazonense foi evacuado e equipes da Defesa Civil realizaram vistorias em diferentes áreas da cidade.
Na Venezuela, dois terremotos de grande intensidade foram registrados em junho, com magnitudes de 7,2 e 7,5, atingindo a região de La Guaira. Os tremores provocaram mortes, feridos e danos em Caracas e outras localidades, de acordo com as autoridades venezuelanas.
Apesar da sequência de terremotos fortes na América do Sul, especialistas consideram que a ocorrência desses eventos em países vizinhos não significa, por si só, que o Brasil esteja prestes a registrar um terremoto de grande magnitude. A atividade sísmica de cada região está relacionada às características geológicas locais e à movimentação das placas tectônicas.



