ENTENDA
Médico cai do 7º andar após uso de zolpidem e perde visão e parte da perna
Vitor Piva, de 34 anos, fez uso excessivo do medicamento e agora está em recuperação
O médico Vitor Piva, de 34 anos, caiu do sétimo andar de um prédio em São Paulo após tomar vários comprimidos de zolpidem, medicamento utilizado no tratamento da insônia. O acidente ocorreu em 29 de junho de 2022, depois de um plantão noturno. Vitor sobreviveu, mas perdeu a visão e teve parte da perna direita amputada.
No dia do acidente, Vitor chegou em casa após um plantão e não conseguiu dormir por causa do barulho de uma obra próxima ao prédio. Ele tomou um comprimido de zolpidem, mas, como não conseguiu dormir, ingeriu outros, estimando posteriormente que tenham sido cerca de quatro ou mais de uma vez.
Ele não se lembra do que aconteceu depois. Acredita que tenha aberto a porta da sacada e, em seguida, caído do sétimo andar. Quando acordou, estava internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), sem conseguir enxergar.
Vitor permaneceu internado por cerca de 90 dias e passou por diferentes cirurgias. Segundo o relato, a investigação policial concluiu que a queda estava relacionada ao uso do zolpidem, que pode provocar efeitos adversos como sonambulismo e alucinações.
Antes do acidente, o médico já havia percebido comportamentos incomuns associados ao medicamento. Ele contou que chegou a comprar uma camiseta pela internet sem se lembrar de ter feito a compra e também acordava com hematomas sem saber como haviam surgido.
O caso de Vitor ocorreu em meio ao aumento do consumo de zolpidem no Brasil. Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) citados na reportagem mostram que as vendas do medicamento passaram de 13,2 milhões de caixas em 2018 para quase 22 milhões em 2023.
Em agosto de 2024, a Anvisa adotou regras mais rígidas para a comercialização do zolpidem e passou a exigir receita azul, de controle especial. A medida restringiu o acesso ao medicamento.
As chamadas drogas Z, grupo que inclui o zolpidem, a zopiclona e a eszopiclona, foram desenvolvidas como alternativas aos benzodiazepínicos para o tratamento da insônia. Estudos e alertas recentes, porém, apontam riscos de dependência, abstinência e eventos adversos relacionados ao uso dessas substâncias.
Depois da queda, Vitor passou por um longo processo de recuperação. Em 2024, viajou para a Tailândia para realizar um tratamento com células-tronco que, segundo ele, poderia ajudar na recuperação da visão. O procedimento, no entanto, não trouxe a melhora esperada.
O médico também voltou a trabalhar e atualmente atua na elaboração de perícias particulares. Além disso, pratica atividades físicas, incluindo arco e flecha no Centro Paralímpico de São Paulo e musculação.
Vitor afirma que nunca mais tomou zolpidem e passou a alertar outras pessoas sobre os riscos do uso excessivo do medicamento. Ele defende que a substância seja utilizada por períodos curtos e com acompanhamento médico.



