Política
Governo Trump destina US$ 1 milhão para campanha contra o STF no Brasil
Senadora Shaheen bloqueou parte dos recursos e denunciou ingerência dos EUA na eleição brasileira
O governo de Donald Trump destinou US$ 1 milhão para financiar uma campanha contra o Supremo Tribunal Federal (STF), no Brasil. As revelações foram publicadas nesta quinta-feira pelo jornal britânico The Guardian, que aponta como recursos originalmente destinados pelos EUA para a agenda de direitos humanos no mundo foram redirecionados para pautas de interesse da extrema direita americana.
“O governo Trump impôs sanções ao ministro brasileiro Alexandre de Moraes no ano passado, após pressão de Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente”, relembrou o artigo.
De acordo com o jornal, um assessor parlamentar democrata afirmou que uma senadora do Comitê de Relações Exteriores, Jeanne Shaheen, havia mantido o bloqueio de dez repasses, totalizando US$ 22 milhões, destinados a projetos no Brasil, na África do Sul e na Nigéria, bem como à promoção de uma ideologia de direita no Reino Unido e na Europa.
Nesta semana, Shaheen mandou uma carta ao governo Trump para denunciar a ingerência na eleição brasileira e cobrar da Casa Branca um reconhecimento do resultado das urnas no país.
“Ao longo do segundo mandato do presidente Trump, observamos autoridades dos EUA engajadas em uma campanha de interferência e desestabilização no Brasil”, disse a senadora, no documento. “Esse esforço intensificou-se drasticamente durante o verão de 2025, quando a Administração impôs tarifas e sanções direcionadas na tentativa de influenciar o veredito da Suprema Corte brasileira no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de tentar fomentar um golpe militar para permanecer no poder”, afirmou.
Segundo o assessor consultado pelo jornal, o Secretário de Estado Marco Rubio havia assinado pessoalmente um memorando para ignorar os bloqueios da senadora e autorizar o empenho dos recursos.
Desestabilizar o STF
Para observadores e diplomatas, desestabilizar o STF passou a ser uma prioridade da extrema direita brasileira e estrangeira. O movimento vê na instituição um freio para conseguir implementar um projeto ultraconservador no país e retomar a liberdade de atuação em todas as frentes.
O dinheiro vem do Fundo de Direitos Humanos e Democracia, criado para financiar a agenda conservadora de Trump pelo mundo e, segundo seus críticos, atacar qualquer tipo de oposição.
“O maior repasse, no valor de US$ 40 milhões, foi destinado a um consórcio liderado pela Victims of Communism Memorial Foundation (VOC) — uma organização sem fins lucrativos anticomunista que, no passado, havia recebido subsídios de valores muito inferiores”, indicou a reportagem.
Um documento de verificação de antecedentes do Departamento de Estado, consultado pelo jornal The Guardian, registra contratos anteriores entre a fundação e o órgão totalizando US$ 96.997 nos últimos cinco anos — todos no ano fiscal de 2022 — e aponta que a entidade passou por uma verificação em 2019 relacionada a ingressos para o evento de gala da fundação.
O documento também identifica Andrew Bremberg — ex-assessor de política interna da Casa Branca durante o governo Trump e ex-embaixador dos EUA junto ao escritório da ONU na Europa — como um “líder sênior” da fundação.



