JUSTIÇA
Pastor Lucinho é condenado a pagar R$ 150 mil por beijo na boca da filha
Religioso tem mais de 2,5 milhões de seguidores e atua na Lagoinha Alphaville, em São Paulo
O pastor Lúcio Barreto Júnior, conhecido como Lucinho Barreto, foi condenado pela Justiça de Minas Gerais, junto com a Igreja Batista da Lagoinha, a pagar R$ 150 mil por danos morais coletivos. A decisão é da juíza Miriam Vaz Chagas, da 17ª Vara Cível de Belo Horizonte, e também determina que o religioso faça um novo sermão de retratação. A sentença é de primeira instância e cabe recurso.
A condenação ocorreu após uma fala feita por Lucinho durante um culto voltado para mais de mil homens, em 2024. No evento, cujo tema era educação de filhos, o pastor relatou ter beijado na boca a filha, que tinha 11 anos à época, enquanto ela estava distraída. Ele também contou que fazia comentários sobre a aparência da menina e que diria ao futuro namorado dela que ele seria o “segundo” a beijá-la.
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), responsável pela ação, argumentou que o sermão ultrapassou os limites da liberdade religiosa e de expressão ao objetificar o corpo feminino e naturalizar comportamentos invasivos contra meninas e mulheres.
A juíza considerou que as declarações tinham conteúdo discriminatório e que a Igreja Batista da Lagoinha também deveria responder pelo episódio porque o culto ocorreu em espaço da instituição e a pregação foi gravada e divulgada nos canais oficiais da igreja.
Quem é o pastor Lucinho?
Nascido em Belo Horizonte, Lúcio Barreto Júnior tem 54 anos e é conhecido pelo trabalho de evangelização voltado principalmente para jovens. Ele é bacharel em Teologia Ministerial e mestre em Teologia.
Atualmente, atua como pastor na Lagoinha Alphaville, em São Paulo. Nas redes sociais, onde reúne mais de 2,5 milhões de seguidores, publica conteúdos relacionados à Bíblia, fé cristã e vida religiosa.
Lucinho também é autor de livros voltados ao público cristão, entre eles O Manual de sobrevivência para o jovem cristão e a série Loucos por Jesus. Ele é casado com a pastora Paty Barreto, tem dois filhos e é avô.
O que aconteceu no culto?
Durante o sermão sobre educação de filhos, Lucinho contou aos participantes que teria beijado a filha na boca enquanto ela estava distraída. A fala foi registrada em vídeo e posteriormente publicada no canal oficial da Igreja Batista da Lagoinha no YouTube, além de circular nas redes sociais.
No processo, o pastor afirmou que o episódio teria ocorrido em 2011, durante uma brincadeira familiar, e que não houve conotação sexual. A defesa também sustentou que as declarações feitas no culto estavam protegidas pelas liberdades de expressão e religiosa.
A defesa mencionou ainda o arquivamento de uma investigação policial relacionada ao episódio de 2011. A juíza, porém, diferenciou a investigação criminal do objeto da ação civil, que analisou a pregação pública e a divulgação das declarações em 2024.
O que a Justiça determinou?
Além da indenização de R$ 150 mil, a sentença determina que Lucinho faça, após o trânsito em julgado, um novo sermão sobre educação de filhos, com retratação expressa das declarações anteriores e abordagem sobre o combate ao ódio, à discriminação e à violência contra mulheres e crianças.
A Igreja Batista da Lagoinha deverá gravar e publicar o conteúdo em seus canais oficiais, mantendo o vídeo disponível por pelo menos um ano. A instituição também terá de divulgar informações sobre a retratação em pelo menos três veículos de imprensa escrita de circulação estadual em Minas Gerais.
Em caso de descumprimento da determinação referente ao sermão, foi estabelecida multa diária de R$ 5 mil, limitada a R$ 100 mil. Os R$ 150 mil de danos morais coletivos deverão ser pagos solidariamente pelo pastor e pela igreja e destinados ao Fundo Especial do Ministério Público de Minas Gerais (Funemp).
Outro lado
O advogado Leonardo Girundi, responsável pela defesa do pastor, afirmou que recebeu a sentença “com perplexidade”. Segundo ele, as falas foram retiradas do contexto de uma pregação de mais de 40 minutos.
A defesa informou que pretende apresentar os recursos cabíveis e afirmou manter compromisso com a defesa de crianças e mulheres.



