Eleições 2026
Nunes Marques dá 24 horas para Meta investigar canal 'Exército do Lula'
TSE quer dados sobre atuação coordenada, alcance e possível amplificação artificial de conteúdos
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, deu 24 horas para que a Meta apresente um relatório técnico sobre o canal “Exército do Lula”. A decisão atende a um pedido da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, e busca verificar se houve atuação coordenada e amplificação artificial de publicações.
A determinação exige informações sobre sincronização de atividades entre contas e plataformas, padrões de engajamento e compartilhamento, publicidade paga e possíveis impulsionamentos. A empresa também deverá explicar quais critérios utiliza para diferenciar mobilizações legítimas de comportamentos coordenados potencialmente irregulares.
O relatório deverá ainda detalhar a aplicação do plano de conformidade firmado pela empresa com a Justiça Eleitoral e apresentar uma análise dos pedidos feitos no processo.
Nunes Marques também determinou que o Google informe se identificou amplificação coordenada de termos e hashtags relacionados ao caso, entre 18 e 20 de outubro, em buscas em alta, sugestões de pesquisa e assuntos do momento.
Segundo a decisão, o objetivo é confrontar as medidas informadas à Justiça Eleitoral com o funcionamento do canal e a distribuição de seus conteúdos.
Lula entra no canal
A decisão foi anunciada no mesmo dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a integrar o “Exército do Lula”. Os participantes receberam um vídeo em formato de selfie no qual o presidente convocou os integrantes para uma transmissão ao vivo com o deputado federal André Janones (Rede-MG), administrador do canal, prevista para a noite desta quinta-feira, 22.
Mais cedo, Janones informou aos participantes que Lula passaria a integrar a ferramenta e poderia enviar orientações diretamente ao grupo. Segundo o deputado, a inclusão ocorreu após uma ligação da primeira-dama, Janja.
Na sequência, o canal recebeu uma mensagem com a palavra “cheguei”, acompanhada de um emoji de lula. A campanha de Lula, porém, ainda não havia confirmado se a mensagem foi publicada diretamente pelo presidente.
Entenda a disputa judicial
A disputa começou após a campanha de Flávio Bolsonaro pedir ao TSE a suspensão do canal, alegando divulgação de informações falsas.
Em 11 de outubro, Nunes Marques determinou a suspensão da ferramenta, mas o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, suspendeu a ordem e determinou a reativação. Uma análise técnica do TSE não identificou conteúdos falsos entre as publicações examinadas.
Em 13 de outubro, Nunes Marques condicionou o funcionamento do canal ao registro formal na Justiça Eleitoral. A campanha de Lula registrou o endereço eletrônico, mas afirmou que a medida atendia à determinação judicial e não significava assumir a administração do grupo.
Naquela noite, o canal voltou a sair do ar por decisão do presidente do TSE. No dia seguinte, em 14 de outubro, o ministro determinou o restabelecimento integral da ferramenta, permitindo novas publicações e a entrada de participantes.



