Checagem

Veja as principais fake news no debate de Lula e Flávio na Globo

Checagem analisou falas sobre apostas on-line, roubo de celulares, obras públicas e outras
Por Larissa Cristovão - Estagiária sob supervisão 23/10/2026 - 23:48
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Fotomontagem: SEAUD/PR e Agência Senado
Lula e Flávio Bolsonaro
Lula e Flávio Bolsonaro

O debate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidatos à Presidência da República, na TV Globo, nesta sexta-feira, 23, teve declarações sobre economia, infraestrutura e programas sociais que foram alvo de checagem.

A Agência Lupa analisou as falas dos candidatos e identificou informações falsas, exageradas e declarações que precisavam de contexto para serem compreendidas. Entre os temas estão o tamanho das barras de chocolate, o número de obras paralisadas e os gastos do governo federal.

Confira as principais declarações verificadas:

É falso que barras de chocolate só agora passaram a ter 80 gramas

Durante o debate, Flávio Bolsonaro afirmou que as indústrias reduziram o tamanho das barras de chocolate por causa da inflação, dizendo que produtos que antes tinham 120 gramas agora têm apenas 80 gramas. A declaração foi classificada como falsa pela Lupa.

Segundo a checagem, algumas marcas já comercializavam barras de 80 gramas em 2022, durante o governo Jair Bolsonaro (PL). A redução do peso dos chocolates ocorre gradualmente desde os anos 1990. As empresas apontam o aumento dos custos de matérias-primas, como cacau, leite e açúcar, além da logística, para explicar as mudanças.

É falso que o governo Bolsonaro criou o “tigrinho” em 2022

Durante o debate, Lula afirmou que o chamado “tigrinho” foi criado pelo governo Bolsonaro em 2022. A declaração foi classificada como falsa.

Segundo a checagem, as casas de apostas on-line foram legalizadas no Brasil em 2018, no final do governo Michel Temer (MDB). A legislação criou um prazo de até quatro anos para que o Ministério da Fazenda regulamentasse o mercado.

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que sucedeu Temer, não cumpriu o prazo estabelecido e, durante sua gestão, o setor operou sem regras específicas e sem recolhimento de impostos no Brasil.

Flávio Bolsonaro tirou do contexto dados sobre obras paradas

O senador afirmou que um relatório do TCU apontava mais de 11,5 mil obras paralisadas no governo Lula. A declaração foi classificada como falta de contexto.

O número de 11.944 empreendimentos se refere a um levantamento de 2024 sobre obras financiadas com recursos federais, e não exclusivamente a projetos do atual governo. Em abril de 2026, o levantamento mais recente citado pela Lupa apontava 4.215 obras paralisadas.

É falso que Lula defendeu roubo de celulares para comprar cerveja

Flávio Bolsonaro afirmou que Lula defende que ladrões de celulares não sejam presos quando cometem o crime para comprar cerveja. A declaração é falsa. Segundo a Lupa, a fala foi retirada de contexto: Lula comentava sobre violência e falta de perspectivas econômicas, sem defender o roubo de celulares ou a impunidade dos responsáveis.

Lula exagerou ao dizer que acabou com a fome em 2012

O presidente afirmou que havia acabado com a fome no Brasil em 2012. A declaração foi classificada como exagerada pela Lupa.

Segundo a checagem, foi em 2014 que a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) indicou que o Brasil havia saído do Mapa da Fome. Isso não significava, porém, que a fome havia sido completamente erradicada.

Flávio exagerou ao dizer que Lula gastou R$ 400 bilhões para se reeleger

Flávio Bolsonaro afirmou que Lula já havia gastado mais de R$ 400 bilhões para tentar garantir a reeleição. A Lupa classificou a declaração como exagerada.

O valor de R$ 405 bilhões reúne medidas com impacto orçamentário durante o ano eleitoral, segundo levantamento do jornal O Estado de S. Paulo. O total não significa que todo o dinheiro já tenha sido desembolsado nem comprova, por si só, que as medidas tenham sido adotadas com finalidade eleitoral. Mais de R$ 73,2 bilhões correspondem a renúncias fiscais, e não a gastos diretos.

Flávio Bolsonaro exagerou ao falar sobre o Bolsa Família de R$ 600

O senador afirmou que Jair Bolsonaro elevou o Bolsa Família para, no mínimo, R$ 600. A declaração foi classificada como exagerada.

Em 2021, o governo Bolsonaro criou o Auxílio Brasil, com valor mínimo inicial de R$ 400. O benefício chegou a R$ 600 em 2022, mas o aumento foi previsto apenas até dezembro daquele ano. A proposta de orçamento enviada pelo governo ao Congresso para 2023 previa um auxílio de R$ 400.

Flávio Bolsonaro tirou do contexto informação sobre dívida pública de R$ 11 trilhões

O senador afirmou que o governo Lula deixará uma dívida de R$ 11 trilhões para os brasileiros pagarem. A declaração foi classificada como falta de contexto.

O valor se refere à dívida bruta do governo geral, que inclui governo federal, INSS, estados e municípios. Em agosto de 2026, o indicador chegou a R$ 11,1 trilhões, equivalente a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados do Banco Central. Já a dívida pública federal somava R$ 9,29 trilhões. Portanto, o valor total não corresponde apenas às dívidas contraídas durante o atual governo.


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