CRIME CONTRA SAÚDE
Quase 500 pessoas são suspeitas de tomar três doses da vacina contra covid em Alagoas
Estudo foi divulgado pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal) nesta quarta-feira
Um estudo da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) publicado nesta quarta-feira, 7, revelou que pelo menos 463 alagoanos em 83 dos 102 municípios do estado tomaram três doses de alguma vacina disponibilizadas para o combate ao coronavírus.
Em entrevista concedida à GloboNews, o coordenador do estudo, Krerley Oliveira, informou que o levantamento foi feito a partir do cruzamento de dados dos registros de imunização nos estados.
“Observamos registros de pelo menos três doses em pessoas com o mesmo nome, sexo, data de nascimento e endereço em datas diferentes. Não é um erro simples de informação no sistema, são dados preocupantes e precisam ser analisados”, comenta.
Ainda de acordo com o coordenador, as conclusões não significam necessariamente que a pessoa tenha tomado as três em Alagoas. "Pode ter tomando uma em outro estado. Agora compete à Secretaria de Saúde e aos órgãos fiscalizadores investigar a situação. Esse tipo de coisa compromete o trabalho que vem sendo feito na vacinação, uma vez que ainda temos muita gente para imunizar", ressaltou.
Por meio de nota, a Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau) informou que não está ciente da situação e que não existem registros oficiais de terceiras doses aplicadas na unidade federativa, mas, se forem constatadas, a Sesau vai dialogar com os municípios em questão, uma vez que são os responsáveis pela execução da vacinação.
No Brasil, um total de 27.023 tomaram doses de vacinas diferentes e 2.547 tomaram doses do mesmo imunizante. Entre os 10 estados que mais aplicaram a terceira dose na mesma pessoa estão: São Paulo (4.870), Paraná (2.689), Rio Grande do Sul (2.416), Bahia (2.038), Goiás (1.876), Minas Gerais (1.729), Rio de Janeiro (1.583), Santa Catarina (999) e Ceará (955).
A prática, que tira a oportunidade de mais pessoas serem vacinadas, é crime e está prevista no artigo 268 do Código Penal, podendo resultar em pena de multa e prisão de um mês a um ano, além de muita, podendo ser aumentada em caso de profissionais de saúde e funcionários da saúde pública.
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