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TRE-RJ barra candidatura de mulher de apontado líder do CV em Alagoas

Mariana de Souza, candidata a deputada federal pelo PP, teve registro indeferido
Divulgação
Mariana de Souza era candidata pelo PP
Mariana de Souza era candidata pelo PP

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) indeferiu a candidatura de Mariana de Souza (PP) a deputada federal após o Ministério Público Eleitoral (MPE) apontar suspeitas de vínculos da candidata com integrantes do Comando Vermelho. A decisão foi tomada por unanimidade e ainda pode ser objeto de recurso.

O caso tem ligação direta com Alagoas. Mariana é casada com Wilson Marques de Albuquerque, conhecido como “Zé Dirceu” ou “Alex”, apontado pela Secretaria de Estado da Segurança Pública de Alagoas (SSP-AL) como uma das principais lideranças do Comando Vermelho no estado e identificado, nos documentos citados pelo MPE, como o número dois da facção em território alagoano.

Segundo o Ministério Público Eleitoral, relatórios de inteligência anexados ao processo indicariam “vínculos profundos” da candidata com integrantes do alto escalão da organização criminosa. A Procuradoria também mencionou empresas e movimentações financeiras relacionadas ao casal como elementos considerados na ação de impugnação.

As apurações citadas no processo também alcançam Alagoas. Conforme relatado nas investigações, o MPE recuperou informações sobre uma interceptação telefônica envolvendo José Emerson da Silva, conhecido como “Nem Catenga”, apontado como outra liderança da facção alagoana. No diálogo, segundo a apuração publicada por O Globo, ele teria orientado um influenciador digital a disputar uma vaga de vereador em Maceió com o objetivo de atuar em benefício do grupo criminoso.

Wilson Marques está foragido da Justiça alagoana desde setembro de 2017, quando fugiu do Presídio de Segurança Máxima 2, no Complexo Penitenciário de Maceió, juntamente com outros 11 detentos. A fuga ocorreu após as grades de uma cela serem serradas. Atualmente, há mandados de prisão em aberto contra ele expedidos pela Justiça de Alagoas.

O histórico judicial de Wilson também foi citado nas apurações. Registros consultados pela imprensa mostram condenações por crimes relacionados ao tráfico de drogas e associação para o tráfico, além de outros processos em tramitação na Justiça alagoana. Autoridades de segurança apontam que ele teria continuado exercendo influência sobre atividades criminosas em Alagoas mesmo depois de se estabelecer no Rio de Janeiro.

De acordo com a investigação eleitoral, Mariana e Wilson oficializaram a união em janeiro de 2025, quando viviam no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro. A defesa da candidata contestou a decisão e sustenta que Mariana desconhecia a verdadeira identidade e o histórico criminal do marido. Segundo essa versão, ela teria encerrado o relacionamento depois de descobrir que Wilson era foragido da Justiça.

Em manifestação publicada nas redes sociais, Mariana também negou qualquer ligação com o Comando Vermelho e afirmou estar sendo alvo de discriminação pelo fato de morar em uma comunidade.

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