ELEIÇÕES 2026

JHC vence Renan Filho após campanhas marcadas por farpas e judicialização

Agora eleito, ele deixou a Prefeitura de Maceió para concorrer ao governo estadual
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JHC vence Renan Filho após campanha marcada por acusações e judicialização
JHC vence Renan Filho após campanha marcada por acusações e judicialização

JHC (PSDB) venceu Renan Filho (MDB) na disputa pelo Governo de Alagoas neste domingo, 4. Com 96,37% da apuração concluída às 21h19, o tucano tinha 849.459 votos, equivalentes a 51,85% dos votos válidos, enquanto Renan somava 781.925 votos, ou 47,73%.

O resultado encerra uma campanha marcada por equilíbrio nas pesquisas, troca de provocações, embates nas redes sociais, ações na Justiça Eleitoral e estratégias diferentes em relação à disputa.

JHC deixou a Prefeitura de Maceió para concorrer ao governo estadual. Renan, por sua vez, buscava retornar ao Palácio República dos Palmares, que comandou por dois mandatos antes de ser eleito senador e assumir o Ministério dos Transportes.

“Essa vitória é de Alagoas. É de cada cidadão e cidadã que saíram de casa e depositaram sua esperança no nosso plano de governo. Meu coração está cheio de alegria e a minha disposição de trabalhar por Alagoas é gigante, assim como as obras que vamos realizar por todo esse honrado estado”, declarou após a vitória.

Campanha foi das redes sociais à Justiça

A rivalidade ultrapassou a comparação entre as gestões dos dois candidatos. Nos debates e nas redes sociais, Renan Filho passou a chamar o adversário de “João Caldas”, enquanto JHC respondeu com “Renanzinho”, em referências aos pais dos dois.

No primeiro debate entre eles, promovido pela TV Gazeta, as provocações pessoais dividiram espaço com as propostas. A cobertura do encontro registrou referências a Renan Calheiros e João Caldas, além de troca de ironias entre os candidatos.

A disputa digital também foi parar repetidamente na Justiça Eleitoral. Vídeos editados, montagens, conteúdos com inteligência artificial e acusações publicadas por candidatos, apoiadores e perfis políticos deram origem a representações no Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas.

Em junho, o TRE-AL determinou a retirada de um vídeo publicado por JHC que utilizava uma declaração de Renan Filho em outro contexto. A Corte também ordenou a remoção de conteúdos relacionados aos dois candidatos e de peças produzidas ou alteradas com inteligência artificial.

Em julho, outra decisão determinou a retirada parcial de publicação feita pelo próprio JHC e de um deepfake envolvendo Renan Filho e Renan Calheiros. As decisões mostraram que a judicialização atingiu conteúdos ligados aos dois lados da campanha.

Na reta final, uma decisão chegou a determinar o bloqueio por 24 horas do perfil de Renan Filho no Instagram. A medida foi posteriormente suspensa pelo próprio TRE-AL, que considerou desproporcional retirar toda a conta do ar.

A disputa judicial também alcançou veículos de comunicação e perfis que reproduziam conteúdos relacionados à campanha, ampliando para além das candidaturas o embate travado nas redes sociais.

Lula com Renan e JHC sem candidato declarado

Outro contraste apareceu na eleição presidencial. Renan Filho assumiu o apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de quem havia sido ministro dos Transportes. Lula participou de ato político em Maceió durante a campanha ao lado de Renan Filho e Renan Calheiros.

JHC adotou estratégia diferente. Apesar de receber apoio de Flávio Bolsonaro (PL) e de reunir em sua aliança nomes ligados ao campo bolsonarista, evitou declarar publicamente voto para presidente durante a campanha.

A neutralidade produziu apoios cruzados no estado. Ronaldo Lessa, aliado de JHC, por exemplo, apareceu no dia da eleição utilizando adesivos de Lula e do tucano, apesar de o presidente apoiar Renan Filho para o governo estadual.

Os debates também se transformaram em assunto da campanha. Depois de participar do primeiro confronto televisionado, JHC deixou de comparecer a debates promovidos posteriormente por emissoras locais, ausências que foram exploradas por Renan Filho em entrevistas e nas redes sociais.

O tucano voltou a enfrentar o adversário no último debate antes da votação. Até então, sua campanha havia priorizado também agendas de rua e viagens pelo interior do estado.


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