ELEIÇÕES 2026

Debate Lula x Flávio na Band tem ofensas, acusações e confusão

Presidenciáveis trocaram ataques sobre corrupção, familiares e pandemia
Renato Pizzutto/Band
Debate Lula x Flávio na Band tem ofensas, acusações e confusão
Debate Lula x Flávio na Band tem ofensas, acusações e confusão

O primeiro debate do segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), realizado neste domingo, 18, na TV Band, foi marcado por acusações de corrupção, ataques pessoais, troca de ofensas e momentos de tumulto. O confronto, realizado em São Paulo, colocou os dois presidenciáveis frente a frente pela primeira vez nesta campanha eleitoral, a uma semana da votação de 25 de outubro.

Famílias e suspeitas de corrupção

A tensão começou ainda no primeiro bloco, quando Flávio Bolsonaro questionou Lula sobre as investigações envolvendo seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a lobista Roberta Luchsinger, citada em apurações relacionadas a fraudes no INSS. Lula afirmou acreditar na inocência do filho, mas declarou que os inquéritos serão investigados. Em resposta, cobrou explicações sobre recursos ligados ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, destinados à produção de um filme sobre Jair Bolsonaro.

Ofensas e acusações de milícia

O debate ganhou contornos ainda mais agressivos quando Lula afirmou que não queria ficar perto de Flávio Bolsonaro, chamando-o de “miliciano”. Os candidatos também trocaram acusações envolvendo familiares, corrupção e segurança pública. Em outro momento, chegaram a usar o termo “palhaço”, enquanto os mediadores precisaram interromper as falas para tentar restabelecer a ordem.

Lula desafia Flávio a abrir sigilos

Na reta final, Lula desafiou Flávio Bolsonaro a abrir os sigilos bancários e telefônicos de suas respectivas famílias. O presidente propôs entregar as informações aos presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), argumentando que a medida permitiria aos eleitores identificar eventuais irregularidades. Flávio respondeu que não tinha nada a esconder, mas não aceitou expressamente o desafio e voltou a acusar Lula de movimentar dinheiro por fora.

Pandemia e críticas ao governo Bolsonaro

A pandemia de Covid-19 também provocou um dos embates mais duros da noite. Lula responsabilizou o governo de Jair Bolsonaro por falhas no enfrentamento da crise sanitária, criticou a defesa da cloroquina e a falta de oxigênio em hospitais, além de chamar ex-ministros da Saúde de “mequetrefes”. Flávio reconheceu que os resultados da gestão do pai na saúde “não foram os melhores”, mas ressaltou que as vacinas utilizadas no país foram adquiridas durante aquele governo.

Propostas para segurança, saúde e economia

Apesar do predomínio das acusações, os candidatos também apresentaram propostas. Flávio prometeu endurecer o combate ao narcotráfico, ampliar o sistema prisional em mais de 500 mil vagas e defender penas de até 80 anos para traficantes. Também propôs um programa de renegociação de dívidas, com participação da Caixa Econômica Federal, e prometeu melhorar o atendimento do SUS, utilizando como referência o Hospital Albert Einstein.

Lula defendeu sua política econômica, investimentos em tecnologia, economia verde e geração de empregos. Na segurança pública, citou a proposta de recriação do Ministério da Segurança Pública e criticou a posição do adversário sobre a PEC da Segurança. Os dois ainda divergiram sobre o custo dos alimentos, o endividamento das famílias e a condução da economia brasileira.

Confusão na plateia marca encerramento

O clima de confronto se estendeu até as considerações finais. A plateia voltou a discutir depois que os mediadores pediram que Flávio respeitasse o espaço destinado à fala de Lula. Após sucessivas intervenções dos jornalistas, o silêncio foi restabelecido e o presidente conseguiu retomar sua declaração. O debate terminou sem uma trégua entre os adversários, que voltam a disputar a preferência dos eleitores no segundo turno, marcado para domingo, 25.


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