ENTENDA

O que é o linfoma de Hodgkin, câncer que levou à morte Isabel Veloso?

Doença atinge o sistema linfático, pode evoluir em silêncio e tem altas chances de cura
Por Redação 10/01/2026 - 13:30
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Reprodução
Isabel Veloso compartilhou nas redes sociais a luta contra o linfoma
Isabel Veloso compartilhou nas redes sociais a luta contra o linfoma

A influenciadora Isabel Veloso, que morreu aos 19 anos neste sábado, 10, foi diagnosticada com linfoma de Hodgkin, um tipo de câncer que se desenvolve no sistema linfático, responsável pela defesa do organismo. A confirmação da morte foi feita pelo marido, Lucas Borbas, em publicação nas redes sociais.

O linfoma de Hodgkin é um câncer que se origina em células do sistema imunológico e costuma atingir com maior frequência adultos jovens, entre 20 e 35 anos, além de pessoas acima dos 60 anos. A doença pode evoluir de forma silenciosa nas fases iniciais, o que dificulta o diagnóstico precoce.

No caso de Isabel, a descoberta ocorreu após o surgimento de nódulos no pescoço e no tórax, um dos sinais mais comuns da doença.

Câncer que começa no sistema de defesa do corpo

O sistema linfático é formado por vasos, linfonodos (gânglios) e órgãos como o baço e o timo. Ele atua na produção e circulação das células de defesa e no equilíbrio de líquidos do organismo.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o linfoma de Hodgkin surge quando células desse sistema sofrem alterações e passam a se multiplicar de forma desordenada, formando tumores, principalmente nos linfonodos

Uma característica marcante da doença é a presença das chamadas células de Reed-Sternberg, identificadas em exames microscópicos. Elas funcionam como uma “assinatura” do linfoma de Hodgkin e permitem diferenciá-lo de outros tipos de câncer do sistema linfático.

Quem é mais afetado e quais são os sintomas

Embora possa surgir em qualquer idade, o linfoma de Hodgkin apresenta dois picos de incidência: em adultos jovens e em idosos acima dos 60 anos. Não há um fator de risco único definido, mas a doença pode estar associada a alterações do sistema imunológico, histórico familiar ou infecções virais prévias, como o vírus Epstein-Barr.

O sintoma mais comum é o aumento indolor dos linfonodos, percebido como ínguas no pescoço, axilas ou virilha. Outros sinais podem surgir com a evolução da doença, como:

  • febre persistente;
  • perda de peso sem causa aparente;
  • cansaço intenso;
  • suor noturno;
  • aumento do volume abdominal;
  • coceira persistente, sem lesões aparentes.

A permanência desses sintomas por semanas deve motivar investigação médica.

Diagnóstico e tipos da doença

O diagnóstico é confirmado por meio de biópsia do linfonodo, quando o material é analisado em laboratório. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o linfoma de Hodgkin em dois grandes grupos:

  • Linfoma de Hodgkin clássico, o mais comum, caracterizado pela presença das células de Reed-Sternberg e tratado, em geral, com quimioterapia, com ou sem radioterapia;
  • Linfoma de Hodgkin de predomínio linfocitário nodular, mais raro, responsável por cerca de 5% dos casos, com evolução mais lenta e tratamentos menos intensivos em situações específicas.

Após a confirmação, exames de imagem definem o estágio da doença, etapa essencial para orientar o tratamento.

Tratamento e chances de cura

O linfoma de Hodgkin é considerado um dos cânceres com maiores taxas de cura na oncologia, especialmente quando diagnosticado precocemente. O tratamento evoluiu significativamente a partir do uso da poliquimioterapia, que mudou o prognóstico da doença a partir das décadas de 1960 e 1970.

Atualmente, a quimioterapia continua sendo a base do tratamento, podendo ser associada à radioterapia. Em casos em que a doença não responde ou retorna após a remissão, podem ser indicadas outras abordagens, como transplante de medula óssea, uso de anticorpos monoclonais e, em situações específicas, terapias celulares como a CAR-T cell.

Apesar dos possíveis efeitos colaterais — como fadiga, náuseas e queda de cabelo —, grande parte dos pacientes alcança remissão completa, segundo dados de instituições médicas especializadas.

Diferença entre Hodgkin e não-Hodgkin

Embora tenham sintomas semelhantes, os linfomas de Hodgkin e não-Hodgkin são doenças diferentes. O linfoma de Hodgkin tende a se espalhar de forma mais previsível entre os linfonodos, o que facilita o planejamento do tratamento.

Já os linfomas não-Hodgkin formam um grupo mais amplo e heterogêneo, com comportamentos e esquemas terapêuticos variados, definidos a partir do tipo de célula identificado na biópsia.


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