ECONOMIA

Fevereiro de 2026 tem recorde de CPFs negativados, aponta Serasa

Reversão não deve acontecer tão cedo, pois Selic ainda continua em nível restritivo mesmo com cortes
Por Estadão Conteúdo 24/03/2026 - 13:46
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Agência Senado
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O Brasil bateu recorde de 81,7 milhões de CPFs negativados em fevereiro de 2026 e tem registrado recordes desde janeiro de 2025, pois a taxa Selic está em um nível muito elevado, segundo a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, em entrevista coletiva sobre os dez anos do Mapa da Inadimplência.

A economista afirma que não vê reversão de dados de inadimplência tão cedo, frisando que por mais que a Selic caia, ainda continuará em nível de juros muito restritivo - e acrescentou que o Banco Central mudou um pouco a sinalização nas últimas comunicações, colocando mais cautela para o ciclo de flexibilização monetária.

"Se antes tínhamos expectativa de juro perto de 12%, mercado começou a revisar para cima essas projeções. Vemos boletim Focus vendo taxa de juros no nível de 12,50% no fim de 2026, e precificação na curva de juros com nível entre 13% e 14% nos juros de longo prazo, dois dígitos", acrescenta.

Abdelmalack ainda observa que as instituições financeiras estão desacelerando o ritmo de concessão, principalmente puxado pelas modalidades de juros mais barato. "Ou seja, a população está se endividando em modalidades mais caras."

Em uma década, houve uma alta de 38,1% no número de brasileiros inadimplentes, de 59 milhões em 2016 para 81,7 milhões em 2026.

A economista diz também que não basta ver se o crédito está mais caro ou mais barato para entender a inadimplência. "Tem a história da inflação por trás disso, porque corrói poder de compra da população, principalmente nas faixas de renda menor."

Dados da Serasa Experian mostram que, em média, o brasileiro tem 70,5% da sua renda comprometida, mostrando como está alavancado.

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