Nutrição

A nova pirâmide alimentar: EUA anunciam o colapso de um mito nutricional

Novas diretrizes reduzem carboidratos, valorizam proteínas e gorduras e mudam paradigma global
Por Larissa Cristovão - Estagiária sob supervisão 08/01/2026 - 19:02
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A nova pirâmide alimentar
A nova pirâmide alimentar

Os Estados Unidos divulgaram nesta semana as novas Dietary Guidelines for Americans 2025–2030, documento que redefine as recomendações oficiais de alimentação e marca uma ruptura histórica com a antiga pirâmide alimentar. A nova orientação incentiva o consumo de proteínas e gorduras naturais e desencoraja carboidratos refinados e alimentos ultraprocessados.

Na prática, a pirâmide alimentar foi praticamente invertida. Carnes, ovos, peixes, laticínios integrais, azeite de oliva e manteiga passam a ocupar posição de destaque, descritos como fontes de alta densidade nutricional. Já pães, cereais refinados, biscoitos e produtos ultraprocessados são associados a maior risco de doenças metabólicas.

A mudança foi reforçada por declarações do secretário de Saúde dos EUA, Robert Kennedy Jr., que resumiu o novo direcionamento: “Coma comida de verdade. Estamos encerrando a guerra às gorduras saturadas e iniciando a guerra ao açúcar.”

Na mesma linha, o comissário da FDA, Dr. Marty Makary, afirmou que as diretrizes anteriores demonizavam gorduras naturais enquanto ignoravam o impacto dos carboidratos refinados e dos ultraprocessados. Segundo ele, a nova estrutura é baseada em evidências científicas e tem como foco melhorar a saúde metabólica da população, especialmente das crianças.

O documento estabelece ingestão proteica entre 1,2 e 1,6 grama por quilo de peso corporal por dia, acima do que era tradicionalmente recomendado, e reconhece que dietas com menor teor de carboidratos podem ser benéficas em contextos clínicos específicos, algo inédito em diretrizes oficiais americanas.

A gordura saturada também é recontextualizada. O foco deixa de ser sua presença em alimentos integrais e passa a recair sobre o consumo excessivo de ultraprocessados, apontados como um dos principais fatores por trás do avanço da obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão e câncer.

No Brasil, o impacto é simbólico. Embora o país já adote diretrizes que desestimulam ultraprocessados, a mudança na narrativa dos Estados Unidos, maior referência global em políticas de saúde, amplia o debate internacional. A nova pirâmide propõe um caminho simples: menos produtos industriais, menos açúcar e mais comida de verdade.


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