INTERNACIONAL

Irã ameaça retaliar EUA e Israel em meio a protestos com 116 mortos

Declaração ocorre após falas de Trump e intensificação da repressão nas ruas
Por Redação 11/01/2026 - 11:11
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Reprodução/vídeo
Irã ameaça retaliar bases militares dos EUA e Israel em caso de ataque
Irã ameaça retaliar bases militares dos EUA e Israel em caso de ataque

O Irã ameaçou neste domingo, 11, retaliar Israel e bases militares dos Estados Unidos caso o país seja alvo de um ataque norte-americano. A declaração foi feita pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, em meio à escalada de protestos contra o regime do aiatolá Ali Khamenei.

“Sejamos claros: em caso de ataque ao Irã, os territórios ocupados [Israel], assim como todas as bases e navios dos EUA, serão nossos alvos legítimos”, afirmou Qalibaf, segundo a agência Reuters.

A fala ocorre após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que no sábado, 10, disse que o Irã está “buscando a liberdade” e que os norte-americanos estão “prontos para ajudar” os manifestantes. Trump também afirmou que poderá intervir caso o regime iraniano continue reprimindo protestos pacíficos.

Enquanto isso, a onda de manifestações no país já deixou ao menos 116 mortos, de acordo com atualização divulgada neste domingo, 11, pelo grupo de direitos humanos HRANA. O chefe da polícia iraniana, Ahmad-Reza Radan, declarou que “o nível de confronto contra os manifestantes se intensificou”. A Guarda Revolucionária afirmou que a proteção da segurança nacional é inegociável.

Os protestos, que começaram nos últimos dias de 2025, se expandiram em escala e violência, tornando-se os mais intensos desde 2022, após a morte de Mahsa Amini, detida por supostamente violar o código de vestimenta feminino.

Na sexta-feira, 9, o líder supremo Ali Khamenei afirmou, em pronunciamento transmitido pela TV estatal, que o governo “não vai recuar” diante das manifestações. Ele classificou os manifestantes como “vândalos” e “sabotadores”.

Ali Larijani, conselheiro de Khamenei e chefe da principal agência de segurança do país, declarou que o Irã está “em plena guerra” e alegou que alguns incidentes foram “orquestrados no exterior”. O regime iraniano também acusou os Estados Unidos de incitar os protestos.

O governo norte-americano reagiu, chamando as acusações de “delirantes” e afirmando que elas buscam desviar a atenção dos problemas internos do Irã, segundo um porta-voz do Departamento de Estado.

As manifestações ocorrem em um contexto de fragilidade do país, após a guerra com Israel, perdas sofridas por aliados regionais e o restabelecimento, em setembro, de sanções da Organização das Nações Unidas (ONU) relacionadas ao programa nuclear iraniano.

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