MACEIÓ

Após denúncia de aluno, MPF aponta falhas de acessibilidade em faculdade

Inspeção na Cruz das Almas foi motivada por denúncia de estudante tetraplégico
Assessoria
Inspeção do MPF identificou barreiras de acessibilidade em faculdade localizada no bairro Cruz das Almas, em Maceió
Inspeção do MPF identificou barreiras de acessibilidade em faculdade localizada no bairro Cruz das Almas, em Maceió

O Ministério Público Federal (MPF) identificou falhas de acessibilidade em uma faculdade localizada no bairro Cruz das Almas, em Maceió, durante uma inspeção realizada na quinta-feira, 2. A vistoria foi motivada por denúncias feitas por um estudante de medicina tetraplégico, que relatou dificuldades de locomoção dentro do campus.

A diligência foi conduzida pela procuradora da República Roberta Bomfim, com o acompanhamento de um engenheiro da instituição. O objetivo foi verificar as condições de circulação e permanência do aluno nos diferentes espaços da unidade.

O procedimento teve início após o estudante publicar, em março deste ano, um vídeo nas redes sociais mostrando obstáculos enfrentados no dia a dia. Entre os problemas relatados estavam buracos e desníveis na entrada da faculdade, além de falhas recorrentes no elevador de um dos blocos, que dificultariam o acesso às aulas.


Durante a inspeção, o MPF constatou que algumas melhorias haviam sido realizadas, mas apontou que ainda existem limitações estruturais importantes.

Entre os problemas identificados está a ausência de cobertura entre os blocos, obrigando pessoas com deficiência a se deslocarem sob sol ou chuva. Outro ponto observado foi a localização do banheiro adaptado, instalado em uma área externa ao prédio onde o estudante passa a maior parte do tempo, o que exige deslocamentos adicionais.

A equipe também verificou falhas em equipamentos de mobilidade. Em um dos blocos, o elevador estava sem funcionamento no momento da vistoria. Em outro prédio, foi constatado um desnível no elevador durante a abertura das portas, dificultando o uso por cadeirantes.

As intervenções realizadas no estacionamento também foram analisadas. Segundo o MPF, apesar das adaptações provisórias, o nivelamento do piso já apresenta sinais de desgaste.

Para a procuradora Roberta Bomfim, a acessibilidade deve garantir mais do que adaptações isoladas. "A acessibilidade não se resume à existência de equipamentos ou intervenções isoladas; ela precisa garantir que a pessoa consiga acessar, circular e permanecer em todos os espaços da universidade com segurança, independência e dignidade", afirmou.

Os registros da vistoria serão anexados ao procedimento em andamento. O MPF irá avaliar se as medidas adotadas são suficientes ou se novas providências deverão ser exigidas para assegurar o direito à educação inclusiva.

Relembre o caso

O procedimento do MPF foi aberto após o estudante de Medicina Ricardo Ribeiro Dias Filho, que é tetraplégico, denunciar nas redes sociais, em março deste ano, dificuldades de acessibilidade dentro da faculdade, localizada no bairro Cruz das Almas. Entre as reclamações, ele apontou buracos e desníveis na entrada do campus, além de falhas frequentes no elevador de um dos blocos, que, segundo ele, comprometiam sua locomoção.

Na época, a instituição informou que atua em conformidade com a legislação de acessibilidade e inclusão. Em nota, afirmou que realiza acompanhamento individualizado do estudante desde seu ingresso, promove ajustes para facilitar o deslocamento, faz manutenção preventiva dos equipamentos e mantém diálogo permanente com a comunidade acadêmica para aprimorar a infraestrutura e garantir condições adequadas de aprendizado.


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