ECONOMIA

Municípios podem perder receita em médio prazo com reforma tributária

impacto de um modo geral dependerá da capacidade de cada administração de se adequar ao novo sistema
Por Assessoria 11/03/2026 - 10:00
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Agencia Brasil
Municípios podem perder receita em médio prazo com reforma tributária
Municípios podem perder receita em médio prazo com reforma tributária

Os municípios brasileiros têm até o fim de 2026 para se adequarem e evitar perdas que podem comprometer seus orçamentos por décadas. A Análise é do Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM), apontando que a regra de transição da Reforma Tributária estabelece, entre outras coisas, que a arrecadação efetiva registrada entre 2019 e 2026 será utilizada como base para a distribuição do novo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que substituirá o Imposto sobre Serviços (ISS) e o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) a partir de 2033. Essa média influenciará diretamente os repasses aos municípios até 2077.

De acordo com Sebastião Rolon, Consultor Jurídico do IBAM, o art. 115, §2º, I da Lei Complementar nº 227/2026, prevê que a média histórica, formada pela arrecadação efetiva do ISS e pela cota-parte do ICMS no período, será utilizada para calcular o coeficiente de participação de cada município no IBS. Esse índice passa a produzir efeitos progressivos a partir de 2029. Em 2033, primeiro ano de vigência plena do novo tributo, 90% da arrecadação do IBS será distribuída com base nessas médias. Embora esse percentual seja reduzido gradualmente ao longo do tempo, ele permanece relevante por décadas. “Trata-se de uma regra objetiva, já definida em lei, mas que exige atenção imediata dos gestores públicos”, alerta.

O consultor, lembra também que até 2053 mais da metade dos recursos do IBS destinados aos municípios seguirá esse critério e, mesmo em 2077, último ano da transição, a média histórica ainda terá impacto na distribuição. “Embora o cálculo seja matemático, os efeitos são concretos. Simulações indicam que pequenas variações na arrecadação de 2026 podem gerar impactos expressivos no longo prazo”, explica Rolon, acrescentando que, outro ponto central é que apenas a arrecadação efetivamente paga será considerada no cálculo da média e os valores lançados, parcelados ou inscritos em dívida ativa precisam ingressar nos cofres públicos até 31 de dezembro de 2026.

Diante desse cenário, o IBAM destaca que medidas como intensificação da fiscalização, aprimoramento dos mecanismos de cobrança, revisão cadastral, execução fiscal e redução da dívida ativa deixam de ser apenas ações administrativas e passam a ter impacto direto na sustentabilidade financeira dos municípios. “O momento exige planejamento, organização institucional e capacitação técnica das equipes municipais, uma vez que a Reforma Tributária alterou profundamente a lógica de repartição das receitas. O coeficiente de participação de cada ente federativo na arrecadação do IBS será divulgado pelo Comitê Gestor do IBS até 31 de agosto de 2027”, sinaliza.

O consultor ressalta ainda que, além dessa atuação imediata das administrações tributárias municipais, a fim de bem resguardar a sua arrecadação, já tão comprometida com políticas públicas essenciais como saúde e educação, os Municípios ainda devem se atentar para a mudança de critério de incidência do novo IBS, que agora passa a incidir no destino da operação com bens e serviços. Ou seja, onde o consumo ocorre, alterando a lógica atual de incidência do ISS e do ICMS, sendo desejável que os Municípios comecem a desenvolver políticas públicas atrativas, não apenas de empresas, mas de consumidores, ou seja, de pessoas que virão em busca de qualidade de vida.

Para finalizar, Rolon chama a atenção para outros pontos a serem observados pelos gestores públicos, como a autonomia no IPTU e ITBI, onde a reforma permite maior liberdade para os prefeitos atualizarem a base de cálculo do IPTU por decreto, facilitando o reajuste da Planta Genérica de Valores (PGV) sem depender de novas leis para inflação, visando aumentar a arrecadação própria. Além disso, ela aponta que os Municípios precisarão investir em geotecnologias para atualizar cadastros imobiliários e aumentar a eficiência na cobrança de impostos. “São vários detalhes a serem observados, como, por exemplo, revisar contratos administrativos municipais devido ao novo cenário de custos (como serviços terceirizados). Por isso, os impactos em cada município estarão diretamente ligados à adequação de cada gestão ao novo sistema”, conclui.


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