caso master
PF e CGU investigam investimentos do Iprev de Maceió
Oito mandados de busca e apreensão foram cumpridos para apurar possível gestão fraudulenta
A Polícia Federal, com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), realizou nesta segunda-feira ,10, uma operação para investigar possíveis irregularidades na aplicação de recursos do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) de Maceió em letras financeiras emitidas por uma instituição financeira privada.
A ação cumpriu oito mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Os alvos e detalhes dos locais das diligências não foram divulgados pela PF.
Segundo a corporação, a investigação apura duas aplicações realizadas nos anos de 2023 e 2024, que totalizaram R$ 97 milhões, e busca esclarecer as etapas que antecederam os investimentos, incluindo o processo de credenciamento, cotação, análise de risco, mecanismos de governança e tomada de decisão.
A Polícia Federal informou que é investigada a possível prática de gestão fraudulenta, sem prejuízo da apuração de outros crimes que possam estar relacionados aos fatos.
A operação ocorre em meio à repercussão das aplicações feitas pelo então Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev), atualmente denominado Maceió Previdência, em letras financeiras do Banco Master durante a gestão do ex-prefeito JHC (PSDB).
Os investimentos passaram a ser questionados após o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master, em novembro de 2025, diante de problemas relacionados à liquidez, à situação econômico-financeira da instituição e ao descumprimento de normas do sistema financeiro.
Com a liquidação, o Maceió Previdência passou a buscar a recuperação dos valores aplicados, ingressando como credor no processo. O instituto afirma que não houve prejuízo consolidado e sustenta que as operações seguiram a política de investimentos aprovada e as normas vigentes.
Além dos investimentos no Banco Master, entidades representativas dos servidores também apresentaram denúncias envolvendo outros R$ 51,5 milhões aplicados no fundo imobiliário Nest Eagle. Sindprev, Movimento Unificado dos Servidores de Maceió e CUT/AL solicitaram a apuração das decisões que resultaram nas aplicações.
Rui Palmeira cobra responsabilização
O ex-prefeito e vereador licenciado de Maceió, Rui Palmeira, esteve na sede do instituto durante a manhã e cobrou esclarecimentos sobre o caso. Para ele, a investigação precisa identificar todos os responsáveis pelas decisões tomadas.
“Não estamos falando apenas dos R$ 117 milhões aplicados em letras financeiras do Banco Master. Maceió foi uma das cidades mais afetadas nesse episódio. Além disso, existem outros R$ 51 milhões investidos em um fundo imobiliário que também está sob questionamento. Somando os valores, são R$ 168 milhões do dinheiro público de Maceió envolvidos nessa situação”, declarou.
Rui afirmou ainda que espera que o avanço das investigações revele quem participou das decisões.
“Vamos saber quem realmente está por trás de tudo isso. Eu não acredito que o ex-presidente do Iprev tenha tomado todas essas decisões sozinho. É preciso esclarecer quem participou dessas operações e quem autorizou esses investimentos”, afirmou.
Outro lado
O Maceió Previdência informou que está colaborando com as investigações desde o início, prestando esclarecimentos e fornecendo as informações solicitadas pelas autoridades.
Em nota, o instituto afirmou que os atos relacionados aos investimentos seguiram os ritos legais e administrativos aplicáveis. A autarquia também destacou o crescimento do patrimônio administrado, que teria passado de aproximadamente R$ 400 milhões, em 2021, para mais de R$ 1,6 bilhão atualmente.
Segundo o Maceió Previdência, a evolução dos recursos garante a capacidade de pagamento de aposentados e pensionistas do município.



