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Analista político não acredita em aliança de JHC com Calheiros
Marcelo Bastos avalia que eventual aliança contrariaria trajetória de oposição
O analista político Marcelo Bastos avaliou ao EXTRA que não acredita na possibilidade de uma aliança entre o ex-prefeito de Maceió JHC e a família Calheiros no cenário das eleições de 2026. Para ele, além de improvável, o movimento representaria alto risco eleitoral. Segundo Bastos, o período pré-convenções partidárias — que ocorre entre 20 de julho e 5 de agosto — tende a ser marcado por intensas disputas narrativas, com circulação de informações e contra-informações impulsionadas por interesses políticos. “É natural que haja tentativas de desgaste entre adversários nesse momento”, pontuou.
O analista destaca que a trajetória política de JHC foi construída com base na oposição direta aos Calheiros, desde sua atuação como deputado federal até a eleição para a Prefeitura de Maceió. Esse posicionamento, segundo ele, foi determinante para consolidar o atual protagonismo político do ex-prefeito no estado. Bastos também comentou rumores recentes sobre um suposto encontro entre JHC e integrantes da família Calheiros, divulgado pelo jornalista Lauro Jardim, em sua coluna do O Globo. O fato foi negado pela assessoria de JHC.
“Independentemente de ter havido ou não reunião, o impacto político de uma eventual aliança seria significativo”, afirmou. Na avaliação do analista, uma aproximação representaria uma ruptura com o discurso que sustentou a ascensão política de JHC. “Se ele fizer essa aliança, perde coerência. E quando se perde coerência, perde-se também o discurso e, consequentemente, a eleição”, disse.
Para reforçar o argumento, Bastos citou exemplos de lideranças alagoanas que, segundo ele, sofreram desgaste após se aliarem à família Calheiros. Entre os casos estão o ex-prefeito, hoje vereador, Rui Palmeira, que após anos de oposição se aproximou politicamente do grupo e teve desempenho eleitoral reduzido em disputas posteriores, e o também ex-prefeito Cícero Almeida, que, segundo o analista, perdeu força política após integrar o campo aliado. “O histórico em Alagoas mostra que diversos nomes que fizeram oposição aos Calheiros e depois se aliaram acabaram pagando um preço político alto, alguns inclusive desaparecendo do cenário eleitoral”, afirmou.
Bastos também chamou atenção para o distanciamento entre decisões de bastidores e a percepção do eleitor. Segundo ele, acordos políticos muitas vezes são firmados sem considerar a reação popular. “Os políticos fazem alianças nos gabinetes, mas esquecem de combinar com o eleitor. E o eleitor responde nas urnas”, disse. O analista acrescentou que movimentos e rumores desse tipo também podem ser utilizados estrategicamente para testar a reação do eleitorado. “Quando esse tipo de informação surge, muitas vezes é para medir a temperatura junto à base”, avaliou.
Apesar das especulações, Bastos reforçou que não acredita na consolidação da aliança. “O eleitor de JHC não tende a aceitar esse movimento. Caso isso avance, ele pode pagar um preço político muito alto”, concluiu. JHC ainda não se decidiu publicamente se irá disputar o governo do Estado contra o ex-ministro e ex-governador Renan Filho, ou se tentará uma cadeira ao Senado.



