caso jorge messias

Governo Lula aponta traições e desconfia de Renan Calheiros e Renan Filho

Presidente reuniu ministros para discutir estratégia após Senado ter rejeitado indicado ao STF
Por Redação 01/05/2026 - 08:16
A- A+
RICARDO STUCKERT/PR
Renan Calheiros e Renan Filho com Lula
Renan Calheiros e Renan Filho com Lula

Horas após a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou uma ofensiva interna para mapear possíveis traições no Senado. A derrota, registrada na noite de quarta-feira, 29, levou aliados a identificar dissidências em partidos da base, como MDB e PSD.

Em reunião realizada no Palácio da Alvorada, integrantes do governo atribuíram a articulação contrária à indicação ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, com participação de outras lideranças políticas e institucionais.

Nos bastidores, também foram mencionados o senador Rodrigo Pacheco e o ministro Alexandre de Moraes como parte de um movimento que teria buscado impedir a nomeação. Interlocutores do governo afirmam que o grupo defendia alternativas para a vaga, incluindo o nome de aliados no campo político.

Entre os suspeitos de dissidência, aliados de Lula apontaram integrantes do MDB, como Renan Filho e Renan Calheiros, sob a avaliação de que teriam atuado em alinhamento com interesses de outros postulantes ao cargo.

A votação terminou com 34 votos favoráveis e 42 contrários à indicação — sete a menos do que o necessário para aprovação. Trata-se da primeira rejeição de um indicado ao STF desde 1894.

Apesar do revés, o presidente buscou adotar postura cautelosa. Segundo aliados, Lula defendeu que qualquer reação seja tomada após análise mais detalhada do cenário político. A expectativa no governo é de que eventuais medidas ocorram após o feriado, incluindo possíveis mudanças na composição de cargos ocupados por aliados de parlamentares envolvidos na articulação contrária.

A derrota também impacta a articulação política do governo no Congresso, sob comando do ministro José Guimarães, que havia demonstrado confiança na aprovação do nome. O episódio expõe fissuras na base aliada e amplia a tensão entre Executivo e Legislativo em um momento estratégico para o governo federal.


Encontrou algum erro? Entre em contato